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Justiça injusta

 Além da conceituação filosófica e técnica do termo “justiça”, é de senso comum que a palavra se refere ao que é correto, justo, independente das consequências. Tanto por parte da sociedade, que se define como justa quando age de forma sempre correta e obediente às leis – que, em tese, são boas e benéficas ao bem comum – quanto aos organismos de prática, fiscalização e controle da justiça que, imbuídos de autoridade constitucional, julgam em prol da retidão, do que é honesto e do bem comum, sem oprimir, sem constranger, sem tripudiar. Firme, mas sem excessos, sem extrapolar os limites de sua competência.

Por concepção lógica, podemos concluir que, quando quaisquer desses polos – sociedade ou autoridades – falham, antagonicamente, impera a injustiça, ou seja, institui-se o governo da ação errada, às vezes desmedida, parcial, preconceituosa, autoritarista, corrupta e fraudulenta. Lenta, quando convém.

Quando esses comportamentos de ordem dualista se apresentam, fica muito claro discernirmos o joio do trigo mas, o perigo mora no sofisma, ou seja, quando a mentira vem deliberadamente embrulhada numa embalagem de verdades e retóricas populistas. Quando a mentira vem embalada como produto midiático. Essas tentativas de indução ao erro para justificar os próprios delitos e/ou intenções suspeitas, são como metástases que ofuscam a percepção daqueles que, instintivamente tendem a acreditar na boa intensão do ser humano. Aqueles que, cada vez mais raros, ainda acreditam nas instituições.

Choca aos olhos dos mais atentos e às mentes mais afiadas quando a injustiça impera, principalmente entre aqueles que, constitucionalmente teriam que ser os guardiões da retidão e das boas condutas. Quando esses “doutores” abusam de suas autoridades, competências e funções, o sentimento de abandono e insegurança da população é tamanho que isso põe em risco a estabilidade da ordem social, mas, esse risco é ignorado pela ganância, pela vaidade.

Choca, quando sabemos. Choca, ainda mais, quando vivemos. Mas, o choque maior é quando vemos a injustiça acontecer ao nosso lado. Além da sensação de insegurança, surge o enorme sentimento de impotência. Nós, o polo frágil, opostamente posicionados em relação àqueles “doutores”, nos sentimos de mãos atadas, completamente fragilizados.

É assim que nós, amigos do Márcio Fagundes nos sentimos.

De um lado os “doutores”. Aqueles que tudo sabem, que tudo podem. Que mandam prender e, quando querem, mandam soltar. Que, regiamente pagos por nós, vão se distanciando de nós.

Do outro lado, um homem correto, pai dedicado, jornalista honrado, respeitado e admirado. Um homem inteligente, culto, letrado. Um amigo de todos, um sorriso infantil e puro. Um homem reto.

De um lado os “doutores”. Aqueles pagos por nós pra praticarem a justiça. Livres para tudo.

Do outro lado, Márcio Fagundes. Vítima da justiça injusta. Preso, tão somente porque “eles” querem.

*Publicitário –  hyeribeiro@gmail.com