Home > Destaques > Brasil ainda tem 11,8 milhões de analfabetos, segundo Pnad

Brasil ainda tem 11,8 milhões de analfabetos, segundo Pnad

Crédito: Retratte Fotografia

Conseguir um bom emprego, escrever, falar bem e ter uma compreensão reflexiva sobre o mundo ao seu redor. Infelizmente, quem não é alfabetizado não tem todas as competências descritas acima e ainda está inserido nos índices negativos da educação brasileira. Segundo dados do Pnad (2016), a taxa de analfabetismo no país corresponde a 7,2%, ou seja, 11,8 milhões de pessoas.

Do total, no Nordeste o índice é ainda maior, representando 14,8%, já no Sul do país apenas 3,6% não sabem ler ou escrever. A disparidade também aparece no quesito cor, em pessoas pardas ou negras a taxa é de 9,9%, já para as brancas, a porcentagem é um pouco menos que a metade (4,2%). Contudo, o relatório “Monitoramento Global da Educação 2017”, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), aponta que o Brasil tem 13 milhões de analfabetos.

Segundo o PhD em Educação Rafael Parente e sócio efetivo do Movimento Todos pela Educação, diante do contexto, o aumento no número de analfabetos no país pode ser analisado pelo fator econômico e social. “As crises econômicas e políticas impactam nas políticas educacionais. E sabemos que, nos últimos anos, o Brasil passou por momentos difíceis. Mas, no geral, temos observado um aumento no orçamento do Ministério da Educação (MEC) nos últimos anos, em mais ou menos 8 anos o orçamento dobrou –, o que não significou resultados melhores na educação do nosso país”.

Ele ainda destaca a ineficiência das políticas educacionais. “Não temos medidas realmente baseadas em pesquisas e boas experiências ou melhores práticas educacionais internacionais. Tem muito projeto com bastante dinheiro investido que não dá resultado”.

Parente aponta que outro problema é a descontinuidade política. “As vezes um programa é iniciado, mas, quando se finaliza um mandato ele é extinto e cria-se outro com a marca do próximo governo”.

Diferente do que muitos pensam, o MEC tem apenas o papel de apoio nos programas de alfabetização. Em nota, a assessoria de imprensa informou a que: “a alfabetização é parte da educação básica, que é de atribuição dos Estados e municípios, mas principalmente dos municípios, que cuidam do ensino infantil e fundamental. São eles que elaboram as políticas educacionais nesta etapa da educação”.

Com base nesse apoio, o MEC lançou o Programa Mais Alfabetização que tem o objetivo de auxiliar os municípios. Segundo o portal, os estudantes de todas as turmas do primeiro e segundo anos do ensino fundamental serão beneficiados. O investimento seria R$ 200 milhões para o pagamento de um assistente pedagógico que vai ajudar os professores em sala de aula. Contudo, ainda de acordo com o portal, os municípios tinham até 5 de março para ingressar no programa por meio do Sistema Integrado de Monitoramento Execução e Controle (Simec) do Ministério da Educação. Entramos em contato com a assessoria de comunicação do ministério e informaram que 49.046 escolas aderiram ao programa.


Minas Gerais

No Estado, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) iniciou no mês de março as aulas do Projeto de Alfabetização e Letramento Popular de Jovens e Adultos. A iniciativa foi instituída pela Resolução 3.644, de 27 de outubro de 2017, e tem entre seus objetivos reduzir a taxa de analfabetismo da população. A expectativa é que sejam atendidos cerca de 1.600 jovens e adultos.


 

O ensino é insuficiente?  

Em 2016, o Ministério da Educação divulgou dados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) que mostrou que mais da metade das crianças do 3º ano do ensino fundamental possuem conhecimento insuficiente em matemática e em leitura. E de acordo com cálculos do Movimento Todos pela Educação, realizados com base nos resultados da avaliação, se o país continuar no atual ritmo de melhorias no nível de aprendizado dos alunos, serão necessários 76 anos para que todos os estudantes sejam considerados proficientes em leitura ao final do 3º ano do ensino fundamental.

Diante dos resultados da ANA, Parente explica: o que acontece na escola é que a rotina e as práticas pedagógicas precisam ser modernizadas. “Temos crianças e jovens que já vivem num mundo tecnológico, cheio de informações e desafios, são verdadeiros nativos digitais. Com isso, a forma como as pessoas vivem, aprendem e se relacionam têm mudado muito devido a esses avanços tecnológicos e as descobertas sobre o cérebro. Entretanto, o sistema de educação tem uma grande dificuldade em avançar. Dessa forma, os professores acabam utilizando as técnicas ultrapassadas, fazendo com que as crianças e jovens se desinteressem pela escola. Por isso é preciso modernizar a didática nas escolas e aproximá-la da realidade”.

Parente que também é CEO do Conecturma, método de aprendizagem de língua portuguesa, matemática e habilidades socioemocionais que combina vários elementos, como livros didáticos, plataforma digital adaptativa e gamificada, desenhos animados, músicas etc, esclarece que existem diversas metodologias que os professores podem aplicar em sala de aula. “Sabemos de diversos métodos que funcionam e dão resultado, como técnicas de contar história, técnicas de storytelling etc. Temos ciência de várias coisas que as crianças e jovens gostam, então, porque não trazê-las para sala de aula”.


Conheça

O Conecturma é uma plataforma de ensino que está disponível no site. Algumas atividades têm livre acesso, o restante é pago. “A plataforma foi pensada para suprir essa deficiência, com base em muito estudo e pesquisa”, conclui Parente.


 

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.