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Mulher ganha 38% a menos que homem exercendo a mesma função

Crédito: Pixabay

“Estude muito. Dessa forma, você terá um futuro promissor”. Quem nunca ouviu isso dos pais ou responsáveis? Hoje, as mulheres podem até ser maioria na sociedade, mas as disparidades com os homens ainda são grandes, principalmente no mercado de trabalho. Uma pesquisa da Catho mostra que uma mulher ganha até 38% menos que um homem no mesmo cargo. Essa matemática também vale para o grau de escolaridade, segundo o IBGE, mesmo elas obtendo a maioria dos diplomas de nível superior, os cargos de chefia estão, em sua maioria, nas mãos deles.

A Pesquisa Salarial 2018 da Catho entrevistou quase 8 mil profissionais e corrobora com os dados do IBGE no quesito educação. Em alguns casos, a diferença salarial chega em quase 50%. Quem tem MBA a disparidade é de 42%.

A psicóloga e assessora de carreira da Catho Elen Souza diz que é ilegal que haja diferença salarial pelo fato da pessoa ser homem ou mulher. “Se eles desenvolvem a mesma função não tem o porquê receberem salários distintos”. Ela diz ainda que a cultura das empresas de priorizar homens em cargos superiores é uma questão histórica. “As mulheres estão no mercado desde os anos 1950 e tem espaço político desde 1988. Então, é um período muito curto para se estabelecer um espaço. Mas, para mudar esse cenário, é preciso quebrar essa barreira mostrando que as mulheres são capazes da mesma forma”.

DIFERENÇA PELA ESCOLARIDADE

Escolaridade Masculino Feminino % que mulher ganha a menos
MBA R$ 10.106,18 R$ 5.811,80 42,49%
Pós-Graduação/Especialização  R$ 7.339,94  R$ 4.768,06 35,04%
Formação superior R$ 4.485,82 R$ 2.533,16 43,53%
Ensino médio  R$ 2.420,52  R$ 1.418,63 41,39%
Ensino fundamental  R$ 2.359,98 R$ 1.397,89 40,77%
Fundamental incompleto  R$ 1.861,25 R$ 1.466,36 21,22%

Fonte: Catho

A especialista em liderança Sônia Jordão comenta que, em muitos casos, essa diferença se dá porque algumas mulheres esperam o reconhecimento e os homens já o buscam. “Às vezes é uma questão de posicionamento que pode ser aliado a diversas coisas, culturalmente os homens brigam mais e ainda temos a questão da maternidade, por exemplo”. Ela esclarece que muitas mulheres acabam optando em sair do emprego por determinado período para cuidar dos filhos, dessa forma quando retornam o cenário é outro e a saída é recomeçar. Diante disso, se era para ela estar em um cargo de liderança, acaba sendo subordinada.

DIFERENÇA POR CARGO

Atuação Profissional Masculino Feminino % que mulher ganha a menos
Presidente | Diretor | Gerente  R$ 12.006,23  R$ 8.183,24 31,84%
Consultor R$ 5.456,64 R$ 3.358,70 38,45%
Coordenador | Líder | Supervisor | Encarregado R$ 5.242,42  R$ 4.091,50 21,95%
Profissional Graduado  R$ 6.163,62 R$ 4.070,74 33,96%
Analista  R$ 4.040,13 R$ 3.355,50 16,95%
Profissional Técnico R$ 3.062,14 R$ 2.078,42 32,13%
Operacional R$ 1.868,72 R$ 1.182,96 36,70%

Fonte: Catho

Sônia informa ainda que, hoje em dia, há uma redução da premissa que os homens devem ser os líderes. “Vejo que as empresas estão mudando de postura em relação a isso. Estudos mostram que mulheres no comando demonstram resultados mais positivos, mas ressalto que isso é relativo, pois cada caso é único”. No entanto, Sônia acrescenta que o viés mercadológico pesa na hora de uma contratação feminina. É colocado na balança se vale a pena, naquele momento, contratar uma mulher que, posteriormente, poderá sair de licença para cuidar dos filhos etc.

Contudo, mesmo com essa questão, a especialista argumenta que há uma mudança de postura positiva que contribui para a carreira da mulher. “Os homens da geração dos 30 e poucos anos estão mais participativos na criação dos filhos. Desta forma, a mulher não precisa mais tomar toda a responsabilidade para si. Vejo que isso terá um grande impacto no futuro”.


COMO MUDAR O CENÁRIO

  • Desenvolva a argumentação: “Comece a frase com eu mereço o aumento ou o cargo porque…”.
  • Se valorize: “Saiba e apresente o que você tem de melhor para a empresa e posição”.
  • Pesquise o mercado: “Analise como anda o seu setor e acompanhe as mudanças”.

Avanço

A pesquisa International Business Report (IBR) – Women in Business, realizada pela Grant Thornton, com mais de 4.995 empresas em 35 países, apontou que houve aumento no número de mulheres em cargos de liderança no Brasil. O estudo, realizado pelo 14º ano, foi divulgado no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher e mostra que 29% das empresas brasileiras possuem mulheres em cargos de liderança – crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Com esse avanço, o Brasil fica acima da média global, com 24%. No entanto, se comparado com 2017, houve queda de 1%. Outro destaque foi o recuo de empresas que não possuem mulheres em cargos de liderança (39%), sendo que em 2017 esse indicador era de 53%.

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.