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Estar na política renegando-a é mau-caratismo

João Dória (PSDB), um dos maiores embustes que o tucanato conseguiu produzir nos últimos anos, acaba de lançar sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo. Depois de ser eleito em primeiro turno para “prefeitar” na maior cidade do país e numa das maiores metrópoles do mundo, o prefeito “trabalhador”, “gari”, “pedreiro”, obra de um marketing pessoal, até tentou ser candidato a presidente da República, mas como tudo no PSDB tem dono, viu que não teria chances contra o projeto insípido e inodoro de Geraldo Alckmin. Numa manobra ridícula, chegou a combinar com correligionários um “abaixo-assinado” onde os tucanos paulistas clamavam por sua candidatura ao governo. Deprimente.

Dória é obra do descrédito com a política. O mesmo descrédito que, guardadas as devidas proporções, mandou para a Câmara de Belo Horizonte uns três patetas que hoje posam de moralizadores, sabichões, donos da razão, sendo que, de concreto, não produzem nada além de discursos idiotas, cenas ridículas, cortina de fumaça; quando muito, mais do mesmo, rococós para seduzir deslumbrados. Transformam a maioria das sessões que participam no máximo num circo ou jardim de infância.

Há tempo venho dizendo que não existe política fora da política e qualquer um que se meta no debate público renegando a política como atividade, das duas, uma: ou é oportunista, ou mau caráter. Dória é o maior exemplo do primeiro caso. Aqui em BH, no exemplo que citei, o oportunismo mais rasteiro também se faz presente. Basta pegar o perfil de cada um dos novos moralizadores da Câmara. (Se bem que aqui, acho que tem mais a ver com bobice e vontade de aparecer do que qualquer outra coisa). Sigamos.

Vir com essa historinha de “empresários que vão investir em novos líderes para formar a nova política” simplesmente porque querem o bem do Brasil é a maior piada que já ouvi na vida. Empresário visa o lucro. Politicamente, na melhor das hipóteses, estão querendo é a tomada do poder para – não se enganem! – defenderem os seus interesses e, nesse caso, exercerem influência na vida de todos. Vou além, ante a proibição da doação de pessoas jurídicas para candidatos, essa coisa de se criar institutos para formação de “líderes” (líder precisa ser formado?), para investir em candidatos, arcando inclusive com custos de campanha, é nada mais, nada menos, uma forma de burlar a lei e colocar recursos empresariais a serviço da eleição de um ou outro. Chega a ser quase lavagem de dinheiro. Alô, Ministério Público Eleitoral!!!

Estamos a pouquíssimo tempo da eleição e diante de um debate burro, desqualificado, obra da idiotice generalizante que se implantou no Brasil – sobretudo nas redes sociais – desde junho de 2013. (Como disse Umberto Eco: “as redes sociais deram voz aos imbecis”.) A nível legislativo corremos o risco de ver triunfar a profecia de Ulysses Guimarães: teremos um congresso pior; a nível executivo, valha-nos Deus! Estamos sem rumo. Da esquerda à direita ninguém propõe absolutamente nada que não seja frases prontas e jogadas para as respectivas plateias. Estar na política renegando a política é impossível e perigoso. Mas estar na política, renegando-a e sendo fruto e exercício do que de mais baixo e asqueroso ela produz, é mau-caratismo e demagogia. E isso, lá em São Paulo e aqui em BH, é o que tem acontecido.