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55% das plásticas no nariz em 2017 foram feitas para “sair melhor na selfie”

Crédito: Pixabay

Uma pesquisa da Academia Americana de Cirurgiões Plásticos Faciais e Reconstrutores chamou a atenção para um fato curioso. O estudo mostrou que 55% das cirurgias plásticas realizadas, no ano passado, em todo o mundo foram feitas por um motivo: sair melhor na selfie. Em 2016, o número já chegava a 42%. A questão é mais comum do que se imagina. O “efeito selfie” causa um aumento de 30% no nariz dos homens e 20% no das mulheres.

O fotógrafo Alex Stoppa explica que a câmera frontal, utilizada para o autorretrato, distorce o rosto por ficar muito próxima. “Tudo depende do ângulo, porque, a maneira como ela estiver posicionada, pode realçar um ponto e disfarçar outro”.

Ele acrescenta que, por muitas vezes, a própria câmera contribui para a distorção. “A qualidade frontal ainda é baixa e a luz do ambiente pode não favorecer também”.

Um outro ponto destacado pelo fotógrafo são os aplicativos de correção de imagem. “A medida em que os celulares vão oferecendo esses programas, a pessoa afina o queixo, o nariz, aumenta a bochecha etc. Acaba que muitos exageram e a imagem, que já não é verdadeira, fica mais longe da realidade”.


Vai uma selfie aí?

Estudos apontam que 90% dos brasileiros fazem selfies. Além disso, 58% fazem autorretrato quase todo dia.


Stoppa elucida que muitas pessoas não gostam das fotos por estarem insatisfeitas com elas mesmas. “O grande problema não é a câmera retratar o que você é, mas se você está bem para ser retratado. Trabalhando com fotografia, o que mais vejo são pessoas que não querem aparecer como são”.

É o que esclarece a psicóloga, gestora de pessoas e coach Lívia Marques. “A gente sempre acha que a vida do outro é melhor. Queremos nos sentir assim, mas a gente não lembra que, por trás das câmeras, selfies e no dia a dia, todos enfrentamos batalhas”.

Ela acrescenta que o fato de existirem vários padrões impostos na sociedade dificulta a autoaceitação. “Muitas pessoas sentem uma problemática quando o assunto é a aparência, porque já sofreram bullying ou danos psicológicos no dia a dia. A pessoa precisa perceber se o que incomoda é algo que a atrapalha fisicamente ou psicologicamente. Mas, de um modo geral, elas buscam cirurgias plásticas para se enquadrarem no padrão imposto”.

Em busca do impossível

De acordo com o cirurgião membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Newton Roldão, esses padrões fazem com que os pacientes cheguem querendo o impossível. “Eles entram no consultório com o nariz pré-concebido em uma foto ou autocorreção que fizeram num editor de imagem. A questão é que esses programas corrigem a parte externa da pele, mas nunca vão poder prever como se comporta osso, cartilagem, subcutâneo, musculatura e ligamentos”.

O especialista comenta que o correto é buscar o equilíbrio entre o que o paciente deseja e o que é possível. “Garantir um resultado com base numa foto trazida ou em um programa de correção é uma chance grande de frustração para o médico e, principalmente, para o paciente”.

A estudante Beatriz Ludwig fez plástica no nariz e no queixo há 2 meses e conta que manteve os pés no chão. “Desde o primeiro momento, a médica ouviu o que eu queria e foi me falando se dava para fazer ou não. Eu tinha um osso bem protuberante e a ponta do meu nariz abaixava quando eu sorria. As fotos me incomodavam, principalmente de perfil quando eu inclinava um pouco o rosto para o lado”.

Lívia explica ainda que, para nos sentirmos bem na selfie e fora dela, é preciso cuidar da autoestima. “Isso vem da infância. Os pais devem trabalhá-la de forma saudável. É normal estar insatisfeito com uma coisinha aqui e outra ali, mas isso não pode ser tão grande a ponto de virar uma patologia”.


Como tirar a selfie perfeita

  • Se estiver em ambiente externo, evite ficar contra o sol. Se estiver em um ambiente interno, busque a luz da janela ficando de frente para ela ou de lado.
  • Posicione o celular na altura do olho, incline o rosto um pouco para a baixo. A foto tirada de cima evidencia a testa, de baixo, o queixo fica em destaque.
  • Coloque um belo sorriso no rosto.

Se a selfie não ficou boa, não ligue. Você é bonito do jeito que é.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.