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8 de março: dia de celebrar a união entre as mulheres

“Companheira me ajuda, que eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor”. Este é um trecho da ciranda feminista, música que marca inúmeros manifestos do movimento e que retrata a sororidade: termo que vem ganhando força e simboliza a união entre as mulheres e desconstrói a ideia de que todas são rivais.

A assistente social da área de políticas públicas para mulheres Andrea Chelles explica que essa rivalidade é proveniente de uma cultura machista. “Existe uma objetificação muito grande do sexo feminino e essa lógica faz com que as mulheres crie uma competição entre si”.

De acordo com a psicóloga Luisa Conrado, a ideia da sororidade muda esse fundamento. “A luta feminina está se fortalecendo como coletividade. Antes, éramos pautadas na rivalidade, hoje estamos entendendo que não somos inimigas. Jogamos no mesmo time e devemos cuidar umas das outras e nos ajudar”.

Luisa acrescenta que a união entre as mulheres ajuda no empoderamento feminino. “Os padrões muitas vezes são irreais e se não nos encaixamos, nos sentimos diferentes e rejeitadas. A sororidade é uma mulher falando para outra ‘não há nada de errado com você, ‘você é linda como é’. ‘Se aceite, pois eu te aceito’. Isso nos humaniza a enxergar o ponto de vista da outra”.

Andrea afirma que o entendimento do que é a sororidade tem feito o feminismo se ampliar. “Hoje, nós temos inúmeras vertentes, mas não podemos esquecer que a luta é única. Com o amadurecimento dessa ideia de união, nós conseguimos entender que todos esses olhares do feminismo são em relação a mulher. Todas sofremos diversos tipos de violência na sociedade. E essa união vai fortalecer para que consigamos enfrentar essas diferenças e, principalmente, para que haja maior equidade de gênero”.

Para que o movimento se torne ainda maior, Luisa alerta para a necessidade de diálogo. “Precisamos entender o porquê daquela mulher reproduzir uma ideia de machismo. Infelizmente, pelo senso comum, muitas pessoas banalizam a causa. Por isso, é importante informar as mulheres de que o feminismo é uma luta por direitos iguais”.

Ela explica que o exemplo ajuda muito, inclusive para diminuir situações em que reproduzimos o machismo enraizado, em nossa cultura, sem nem perceber. É importante apontar isso para as mulheres a fim de estabelecer outra maneira de pensar”.

Mão amiga

A estudante Camila Domingues viveu uma situação em que foi ajudada por uma mulher que nem a conhecia. “Eu estava em um ponto de ônibus a noite e um cara veio puxar papo comigo. Fiquei desconfortável, mas ele não saía de perto. No ponto, tinha outra mulher e ela percebeu que não me sentia segura. Então, ela veio até mim, me abraçou como se me conhecesse. Conversamos e acabou que eu entrei no ônibus e ela ficou no ponto, mas quando me despedi, ela disse: ‘espero que chegue em casa em segurança’. Agradeci. Seria tão bom se todas fôssemos assim”.

Após esse episódio, Camila começou a pensar sobre o assunto. “Nunca me atentei sobre a forma que somos tratadas na sociedade. Achava normal. Depois desse dia, comecei a ler sobre o feminismo e a entender o conceito de sororidade. Somente uma mulher entende o que a outra passa no dia a dia”.

Camila ainda deixa uma mensagem para as mulheres. “A luta feminina é diária e difícil. Mas temos que nos manter unidas para conseguirmos nosso espaço e o respeito que temos direito e que merecemos. No Dia Internacional da Mulher lembre-se disso: nós por nós”, conclui.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.