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Esquizofrenia: 1% nunca representou tanto

“Uma luta diária entre eu e minha mente. Tem dias em que não entendo o que se passa e outros em que não controlo o que falo. Há situações em que o pensamento é acelerado, misturado, uma confusão. E há momentos em que eu estou bem, lúcido e, ainda assim, as pessoas olham torto pra mim”. É como Bernardo Oliveira*, 26, descreve a maneira como se sente. Ele tem esquizofrenia, transtorno mental que atinge 1% da população mundial e cerca de 2,5 milhões de brasileiros.

Esses olhares tortos descritos por Bernardo são comuns. É que quem tem a doença sofre também com o preconceito diário da sociedade. “É o maior desafio dos pacientes”, explica o psiquiatra Luís Augusto Malta. “Essas pessoas são vistas como perigosas, mas é uma parcela muito pequena que tem um comportamento mais agressivo. A maioria acaba se isolando, sem oferecer nenhum perigo”.

Apesar de não ter cura, a doença, hoje, possui tratamento que, de acordo com o psiquiatra, auxilia para que o paciente tenha uma vida normal. “Existe o controle dos sintomas. O tratamento principal é por medicamento antipsicótico, mas há também algumas linhas de fisioterapia que ajuda a dar suporte”.

O especialista adiciona que, para que o paciente se mantenha estável, todo o tratamento é feito a fim de evitar surtos psicóticos. “Cada surto leva a uma piora no que a gente chama de capacidade cognitiva. A grande meta da psiquiatria é não deixar que isso aconteça, pois se ficar estável, ela tende a não ter esse deterioro cognitivo”.

Foi o que aconteceu com a avó de Rafaella Pessoa*, que não possui mais lucidez. “Acredito que ela já não tenha noção nenhuma da realidade. Às vezes, ela age como se fosse uma criança. Além disso, cria manias no dia a dia, como, por exemplo, tomar picolé. Tanto que quando o carro passa na rua, se a gente não correr para buscar um picolé, ela surta, grita, etc. Tem dias que são difíceis”.

Outros tipos de esquizofrenia:
SimplesTem como sintomas principais o isolamento social do paciente, ausência de relações afetivas e mudança de personalidade.
DesorganizadaProvoca apatia, tendência a comportamento infantil, dificuldade de organização do pensamento e ausência de emoções diante de situações importantes.
CatatônicaDeixa o paciente com postura e musculatura tensa e rígida e expressão facial fora do normal. Além disso, há quadro de apatia.
IndiferenciadaÉ a forma de esquizofrenia que não apresenta características particulares e pode desenvolver sintomas dos demais tipos.
ResidualÉ aquela em que o paciente apresenta apenas sintomas isolados, após tratamento de quadros completos da esquizofrenia.t

 

Fonte: Saúde Ccm

Entenda
A esquizofrenia é uma doença que tem um componente genético e é caracterizada, principalmente, pela perda da conexão com a realidade. “Normalmente, ela se desenvolve por volta dos 20 anos. Os primeiros sintomas, de uma maneira geral, são delírios e alucinações. O diagnóstico é feito por meio de exame clínico”, explica Malta.

O psiquiatra acrescenta ainda que existem vários tipos da patologia, mas, que a principal delas é a do tipo paranoide. “A pessoa tem uma ideia fixa de perseguição, de que tem alguém prejudicando ela, perseguindo, querendo matá-la. Vale ressaltar que cada paciente desenvolve apenas um tipo do problema”.

Relembre: O personagem Tarso, vivido por Bruno Gagliasso em Caminho das Índias, teve destaque na trama porque sofria com a doença. E, assim, o público pode saber um pouco mais sobre a esquizofrenia e os preconceitos sofridos por quem tem a patologia.
Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.