Home > Geral > Quando o agressor trabalha ao lado

Quando o agressor trabalha ao lado

Crédito: Divulgação

Não são apenas as estrelas de Hollywood que sofrem assédio. Uma prova é que entre 2007 e 2017, segundo a Consultoria Proviti, foram realizadas 168.965 denúncias no Brasil. Destas, 43,1% estão na área de relacionamento interpessoal e 25,66% são relativas a práticas abusivas: assédio moral ou sexual, agressão física, discriminação e preconceito.

Os dados do Ministério do Trabalho apontam que, em 2017, houveram 340 ocorrências de assédio sexual em todo o país. Já o Observatório de Segurança Pública Cidadã/Reds/Sesp, recebeu 459 caso nas delegacias e postos policiais, no ano passado, em Minas Gerais.

Segundo a representante da Delegacia de Combate à Violência Sexual, Camila Miller, o assédio só é caracterizado se houver um nível de hierarquia entre vítima e agressor. “Somente se adequa ao tipo previsto no Código Penal quando há subordinação, como chefe e funcionário, ou vínculo, por exemplo, avô e neta”.

Camila elucida que é importante que as vítimas façam a denúncia para que o agressor não fique impune. “Isso fará com que ele pense duas vezes antes de tentar algo com outra mulher. Além disso, o relato tem um peso no caráter pedagógico e educativo, porque outros homens vão ter conhecimento da punição e repensar seus atos”.

A diretora da Associação Mineira dos Advogados Trabalhistas (Amadi) Cássia Haten informa que a vítima pode relatar o ocorrido de diversas maneiras. “No sindicato de sua categoria, RH da empresa ou em algum centro de referência do trabalhador. No caso do servidor público, ele pode procurar ajuda no Ministério Público do Trabalho, Justiça do Trabalho e na Comissão de Direitos Humanos na OAB”. O crime também pode ser denunciado em alguma delegacia ou posto policial.


Tipos de assédio

Sexual: Quem constrange alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual

Moral: Conduta abusiva que atinge a dignidade ou integridade psíquica ou física do trabalhador


Muitas mulheres deixam de denunciar o assédio sexual por não conter provas de que ele aconteceu. A delegada explica que a vítima deve ter ciência de que sua palavra tem relevância nesse caso. “Uma cantada, um abraço mais apertado, a mão em um local inadequado são coisas que acontecem na clandestinidade. Então, o primeiro passo da autoridade pública que for atendê-la é acreditar e iniciar a investigação”.

Em relação ao assédio moral, a diretora da Amadi indica que a pessoa anote tudo o que sofreu em detalhes, inclusive, setor, nome do agressor e colegas que presenciaram. “Se possível, grave as conversas quando ocorrer as agressões”.

O Ministério Público do Trabalho, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, está divulgando vídeos nas redes sociais com o objetivo de conscientizar a população a respeito da prática.


“Sou lésbica, mas isso nunca inibiu meu ex-chefe de me chamar pra sair. Ele me disse várias vezes que eu ainda não tinha saído com um homem de verdade”. M.T

“Tive um chefe que adorava fazer massagem nos meus ombros, elogiar minhas roupas e me dar apelidos. Ele já fez inúmeras insinuações e, inclusive, já pediu para que eu tirasse minha blusa”. S.S

“Meu ex-patrão me encurralou na cozinha da empresa e tentou me beijar”. A.R

“Machuquei meu tornozelo e meu chefe me fez ficar de pé na frente de todo o escritório e disse: ‘sua perna está inchada porque você está gorda, precisa emagrecer, se não vai sentir dor sempre’”. K.C

“Trabalhei com demandas impossíveis de cumprir. Um dos meus chefes era muito estourado, gritava comigo, batia a mão na mesa, me chamava de burra e incompetente”. A.L

*As fontes pediram para não serem identificadas


Time’s Up

Inúmeras atrizes relataram ter sofrido assédio sexual de produtores, diretores e atores da indústria. Grandes nomes foram colocados sob os holofotes das acusações: os atores Kevin Spacey e Dustin Hoffman, o megaprodutor Harvey Weinstein e os diretores Brett Ratner e Lars von Trier.

As queixas serviram para o início da campanha Time’s Up (Acabou o Tempo). O objetivo é ajudar financeiramente mulheres a conseguir uma boa defesa na Justiça em processos relacionados ao assédio no trabalho.

Mexeu com uma, mexeu com todas

No ano passado, famosas e anônimas usaram as redes sociais para protestar contra o assédio sexual no ambiente de trabalho. Elas foram motivadas pelo relato da figurinista da Rede Globo Susllem Tonani que acusou o ator José Mayer de cometer o crime. A campanha ganhou notoriedade e o ator foi afastado pela emissora.


Polêmica no BBB

O Big Brother Brasil 18 gerou polêmica entre os internautas na última semana. Várias pessoas se revoltaram com as cenas em que o participante Ayrton aparece dando um selinho demorado em sua filha Ana Clara, que também participa do programa. Em outra situação, ele aparece deitado em cima da jovem fazendo movimentos com o quadril. E ainda há cenas em que ele aparece debruçado sobre seu sobrinho, Jorge, outro participante do reality.

Reprovando o comportamento de Ayrton, os telespectadores têm pedido para que a Rede Globo retire a família do BBB. Contudo, até o fechamento desta edição, a empresa não havia se pronunciado sobre o caso.


 

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.