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Com ou sem condenação, Lula é o personagem de 2018

A condenação de Lula no TRF-4 é o marco inicial no qual começaremos a discutir a eleição de outubro, tanto em nível nacional quanto na definição dos palanques estaduais. Por mais que eu, no âmbito pessoal, talvez mais por pensar como consultor em marketing político, preferisse ver a derrota do petista nas urnas, não posso desconsiderar que para parte considerável da sociedade brasileira “a justiça foi feita”, mesmo no bojo de um processo eivado pelo ativismo judicial e sim, na minha concepção, sem provas concretas de crimes cometidos pelo cacique-mor do petismo.

É evidente, a essa altura do campeonato, que é impossível discutir a possibilidade da eleição de Lula (PT) em outubro. Não existe probabilidade jurídica para isso, por mais recursos e liminares que se possa tentar. Além de se enquadrar na lei Ficha Limpa, Lula é réu em outros tantos processos e isso, por si só, já o impede de exercer a Presidência da República. Parabéns, portanto, à republiqueta de Curitiba que acaba de criar um mártir.

A falta de Lula nas urnas abre espaço para candidatos de esquerda, nem todos com potencial de vitória, muito mais pelo extremismo e à guinada à direita que parte da sociedade brasileira parece ter dado, mas traz de volta ao cenário, de forma um pouco mais séria, o ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), que, dentre as opções da centro-esquerda é o que está melhor preparado e cacifado.

Do lado da direita temos o boquirroto Bolsonaro (PSC) que, sem Lula no páreo, perde razão de existir, ante o extremismo e a falta de soluções concretas para os complexos problemas brasileiros. Afinal, por mais que eu seja contra o estatuto do desarmamento, não vamos resolver os entraves nacionais colocando uma pistola na cintura de cada cidadão e um fuzil na mão de cada fazendeiro.

Geraldo Alckmin (PSDB), que poderia fazer as vezes de um candidato de centro, ou centro-direita, vai precisar levantar voo até abril, correndo o risco de não ter o apoio do próprio partido, que já tem, como sempre, uma discordância interna levantada pelo prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto.

Já disse aqui uma infinidade de vezes que não acredito em política fora da política e não sou adepto de nenhum outsider. O que a sociedade brasileira precisa entender é que são vários os “Brasis”. Temos complexos problemas regionais, humanos, antropológicos eu diria, e não podemos pensar o Brasil só da Avenida Paulista ou da Esplanada dos Ministérios. Precisamos, nesse momento, de um candidato focado sim, na gestão pública, promovendo as reformas que o Brasil precisa: previdência, política, tributária; mas que não deixe de olhar e assistir sim, aqueles que precisam dos programas sociais para ter o que a Constituição da República define em seu primeiro artigo: “dignidade humana”.

Por fim, voltando a falar de Lula, acrescento que num ambiente de debate burro como o que temos vivido o comum é que pessoas de esquerda chorem declamando a inocência de Lula; e que pessoas de direita, como eu sou, declamem em verso e prosa a sua culpa. Eu tenho uma diferença considerável com aquilo que chamo de “comuno-petismo”. Mas não posso engolir uma condenação sem provas. Não quero Lula presidente em 2018. Mas o queria nas urnas. Tenho noção dos distintos graus de compreensão das pessoas que me rodeiam. Por isso, estou preparado para a reação dos idiotas, que me acusam de “petista” porque sustento – e, depois do julgamento tenho certeza! – que Lula foi condenado sem provas no caso do tríplex de Guarujá.