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Artrite reumatoide: 1% nunca representou tanto

Crédito: MD.saúde
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Inchaço, rigidez e dores nas juntas, que podem provocar limitações na movimentação, são alguns dos sintomas da artrite reumatoide (AR) – doença autoimune que ataca as articulações. Essa patologia, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge 1% da população mundial. Entre os famosos, sabe-se que o problema acomete a cantora Lady Gaga e a atriz brasileira Betty Faria.

O presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia, Ênio Reis, explica que a AR atinge mais as mulheres na faixa etária entre 30 e 50 anos. E que os sintomas iniciais são o cansaço, fadiga, mal-estar e a dor articular com uma rigidez ao acordar.

O médico enfatiza que a patologia tem um componente hereditário muito forte. “Se há casos na família ou de outras doenças autoimunes, aumenta muito a predisposição. Pacientes com esses sintomas articulares podem evoluir com deformidades articulares. Ou seja, as mãos começam a entortar, os dedos ficam inchados e os ligamentos podem ficar frouxos ou rompidos”.

Prevenção e diagnóstico

O médico alerta que as pessoas com predisposição genética devem evitar processos inflamatórios crônicos. “O estresse também contribui como outro fator no gatilho dessa patologia”.

Reis esclarece que o diagnóstico pode ser feito por estudos radiológicos das áreas acometidas e exames específicos. “A identificação precoce é fundamental para que a doença não evolua com deformidades articulares, deixando o paciente incapaz de realizar tarefas diárias”.

Ele acrescenta, no entanto, que a AR pode ser confundida com a artrite psoriásica e/ou fibromialgia. Contudo, afirma que a artrite reumatoide tem uma característica simétrica e cumulativa. “Se ela ocorre em uma mão, vai acontecer de forma idêntica na outra”. Reis elucida que “não é raro o paciente com artrite reumatoide ter a fibromialgia como doença associada”.

Convivendo com a AR

A aposentada Ariane Gaschler, 46, conta que devido a doença já fez seis cirurgias nas mãos e uma artroscopia no joelho. Ela descobriu a AR quando tinha 21. “Foram quase 2 anos para receber o diagnóstico. Eu ficava indo de médico em médico”.

Ela explica que para não atrapalhar o tratamento faz as consultas particulares e consegue os exames pelo Estado. “Meu caso é severo, tenho que tomar o medicamento de 4 em 4 meses. Pelo o SUS eles só liberam de 6 em 6 meses. Tive que entrar na justiça para conseguir a medicação, pois houve uma piora no meu quadro”.

Por fim, Ariane faz um alerta: “Tem gente que fala assim: tal remédio cura, trata com homeopatia. Esse foi o momento em que mais perdi os movimentos. Eu trabalhava e, agora, ainda recebo aposentadoria parcial. A gente se sente um nada”.

Ela conta que faz sessões de acupuntura para auxiliar no tratamento. “Isso ajuda a minimizar os sintomas da depressão”.

A estudante Magda Maciel, 25, descobriu a AR há pouco tempo. Ela diz que não tem nenhum sintoma da AR, no entanto, há cerca de 4 anos sentiu muita ardência nos olhos e foi diagnosticada com a Síndrome de Sjögren (SS) – patologia autoimune, secundária da artrite reumatoide –. “Fui encaminhada ao reumatologista e constataram que tinha artrite reumatoide. Imediatamente comecei o tratamento”.

Magda comenta que faz uso da medicação, mas ainda não mudou a alimentação e nem faz atividades físicas, mas garante que irá mudar sua rotina. “Como eu trabalhava e estudava não conseguia fazer exercício, porém agora isso está em meus planos”.

Tratamento

Por ser uma doença que não tem cura, o tratamento deve ser iniciado o mais breve possível. “Em torno de 90% dos casos, o paciente pode ter uma vida normal se usar a medicação continuada. Porém em 10% das ocorrências, a evolução pode ser mais rápida independente da qualidade do tratamento. A forma severa da doença pode, inclusive, acometer a parte pulmonar e cardiológica”, salienta.

Reis comenta ainda que no tratamento são utilizados medicamentos que modulam a parte imunológica no controle da patologia, como os corticoides, anti-inflamatórios e medicamentos modificadores do curso da doença, de ação mais lenta. “Iniciamos com remédios orais e mais simples e, aos poucos, introduzimos drogas mais complexas e até medicamentos injetáveis subcutâneos ou venosos, como os anti-TNF-alfa”.

O médico reforça que praticar atividade física é bom para preservar a articulação e musculatura, desde que seja com orientação médica. Com a alimentação não é diferente. “Alguns medicamentos podem elevar a pressão, então deve-se tomar cuidado com o sal. Além disso, é preciso ter uma dieta rica em cálcio e ômega 3”.

Novidade

O médico conta que há um exame denominado anti-CCP ou anti-citrulina que serve para diagnosticar precocemente a doença e, também, é um marcador de prognóstico. Ou seja, quanto mais alto o valor, maior a gravidade do caso. “Há também uma nova classe de medicação anti JAK 1, o primeiro anti-Jak disponibilizado no Brasil é o Tofacitinibe que não é um medicamento injetável e tem uma ação mais ampla inibindo várias citocinas pró-inflamatórias”.

No entanto, Reis lamenta que a droga ainda não está disponível no SUS. “A Sociedade Brasileira de Reumatologia está lutando para que esse tratamento seja disponibilizado na rede pública. Já há uma proposta no Ministério da Saúde para que ele seja liberado”, revela.


Melhor qualidade de vida

> Tome os medicamentos

> Faça atividades físicas (com orientação médica)

> Tenha uma alimentação rica em cálcio e ômega 3

> Faça atividades que contribuam com a saúde mental


 

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.