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Valor da cesta básica recua, mas custos ainda são altos para o trabalhador

Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), por meio da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, no acumulado de 2017, o valor da cesta básica abaixou em 21 capitais. A maior redução ocorreu em Belém (-13,6%), na qual a cesta custa R$ 356,67, equivalente a 41,38% do salário mínimo líquido e representa 83 horas e 44 minutos de trabalho do brasileiro. Já em Belo Horizonte, a queda foi de -8,37% e os itens somam R$ 361,61. Para adquiri-la, o belo-horizontino precisa de 84 horas e 54 minutos de trabalho. A média nacional foi de 86 horas e 04 minutos.

A supervisora da área de preços do Dieese Patrícia Costa explica que a pesquisa é um levantamento contínuo dos preços de produtos alimentícios considerados essenciais com base no Decreto Lei nº 399/38. Ele determinou que a cesta fosse composta por 13 produtos em quantidades suficientes para garantir, durante um mês, o sustento e bem-estar de um trabalhador em idade adulta. “Sabemos que ao longo do ano existem problemas de safra e clima que acabam afetando o preço dos produtos de alimentação básica, mas não há previsão de um grande aumento em nenhum item”.

Itens da cesta pesquisados
• Carne • Leite • Feijão • Arroz • Farinha • Batata • Tomate • Pão • Café • Banana • Açúcar • Óleo • Manteiga

Patrícia lembra que em 2015 e 2016 vivemos momentos de grandes aumentos nos alimentos, principalmente, devido aos fatores climáticos. “Em 2017, a oferta se normalizou, pois o clima foi propício, o que supriu a demanda. Então, a expectativa é que se mantenha a cesta neste patamar”.

Ela esclarece que além das safras, outro indicador que interfere no valor da cesta é a procura. “Em um ano de recessão e aumento do desemprego, as pessoas perdem o poder de compra, fazendo com que a busca por alguns produtos caia e, consequentemente, o preço aumente para outros”.

Contas não fecham
A pensionista Karine Dias recebe cerca de três salários mínimos. No entanto, ela diz que faz um tempo que a compra do mês é feita de maneira fracionada. Como as contas de água e luz subiram, ela resolveu comprar apenas o que faltar e substituir os itens caros por mais baratos. “Compro os produtos que vão acabando separadamente. Como a mercearia é perto da minha casa, quando não tenho dinheiro, deixo anotado e pago no mês seguinte. Só em dezembro, paguei cerca de R$ 380. Se tivesse feito a compra completa, o valor seria de até R$ 480”.

Salário desproporcional
O salário mínimo para manter uma família de quatro pessoas deveria ser de aproximadamente R$ 3.585,05, estima o Dieese. Hoje, ele é R$ 954, crescimento de 1,81% em relação ao ano passado. “O valor de R$ 3.585,05 é uma referência. Não existe a possibilidade de se estabelecer um mínimo desse porte. Mas o que vinha sendo feito era a política de valorização, ou seja, era acrescentado aumentos reais e isso deixou de acontecer. O reajuste desse ano foi muito baixo, o que é um grande impacto para as famílias de baixa renda”, explica Patrícia.

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.