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Conheça a Champions LiGay: primeiro campeonato brasileiro de futebol gay

Que o futebol é um dos esportes mais tradicionais no Brasil ninguém tem dúvida, afinal, o país é recordista de títulos na Copa do Mundo. No entanto, a modalidade revela um lado obscuro, sendo um campo onde o preconceito sexual está mais enraizado, não só por parte das torcidas, mas também entre os jogadores. E para driblar essa realidade, um grupo de amigos criaram o primeiro campeonato brasileiro de futebol gay, a Champions LiGay. O nome é um trocadilho em alusão ao maior torneio de clubes do mundo, a Champions League. A competição tem o objetivo de promover a inclusão, lutar contra a homofobia, além de gerar um debate na sociedade. E nessa primeira experiência, a equipe de Belo Horizonte, o Bharbixas, foi a grande vencedora.

O organizador da 1ª Champions LiGay André Machado explica que a LiGay Nacional de Futebol (LGNF) foi fundada por BeesCats (RJ), Futeboys e Unicorns (SP), após um mini torneio disputado em julho do ano passado. “Nós passamos a incentivar a criação de novos times pelo Brasil e tivemos uma boa repercussão. Tanto que outros grupos foram formados e pensamos que seria bacana fazermos um campeonato. E foi assim que surgiu a Champions LiGay. A primeira edição aconteceu em novembro de 2017 e contou com a participação de oito equipes. E apesar de ser uma disputa, o que a gente mais preza é o fair play, ou seja, não é permitido fazer falta e o que vale é a diversão sem prejudicar o adversário de propósito. Esse é um dos grandes diferenciais do nosso jogo para o futebol tradicional”.

Ele salienta que a criação da Liga Gay visa levantar uma bandeira e fomentar uma discussão na sociedade. “Se o gay é igual ao hétero por que não existem jogadores assumidos? Nosso objetivo principal é a inclusão. Temos casos de jogadores que poderiam virar profissionais, mas por conta da sexualidade foram excluídos. Existem muitos gays que gostam de futebol, mas não se sentem confortáveis jogando no ambiente hétero, machista e com piadinhas homofóbicas o tempo todo. Por isso, a maioria dos nossos jogadores se afastam do esporte”.

Ainda segundo André, quando essas pessoas encontram um ambiente seguro e social, onde não precisam disfarçar quem elas realmente são e que ninguém fique olhando torto, sentem novamente o prazer de jogar bola que haviam perdido quando eram crianças ou adolescentes. Ele acredita que se não fosse criada uma Liga Gay de futebol, os jogadores homossexuais ficariam sempre excluídos. “Desejamos de coração que daqui há uns 10 anos não seja mais necessário debater o tema sexualidade”.

A segunda edição da Champions LiGay já tem data definida para acontecer. Será nos dias 14 e 15 de abril de 2018, em Porto Alegre, e deve contar com a participação de 12 equipes. Ainda este ano, uma terceira edição está sendo pensada para novembro em São Paulo e deve somar 16 times.

Campeões
O Bharbixas, equipe de Belo Horizonte, foi a grande vencedora da 1ª Champions LiGay, disputada em novembro no Rio de Janeiro. Para o fundador e líder do time, Gustavo Mendes, a data será sempre lembrada, pois o grupo estava completando 5 meses de existência. “Essa conquista, em especial, é diferente de qualquer torneio que já participei, afinal foi o primeiro campeonato exclusivamente gay. Poder ver a felicidade no rosto dos meninos da equipe e fazer parte dessa experiência de jogar em um espaço onde você é totalmente respeitado e não sofre nenhum tipo de discriminação é uma coisa incrível. Valeu muito a pena”, comemora.

A equipe é uma das pioneiras do futebol LGBT em BH e esse foi o primeiro campeonato que o Bharbixas participou. Gustavo conta que a criação do grupo foi inspirada por outros times gays. “Vi uma matéria dos Unicorns (SP) na televisão e anotei a rede social deles. Tomei coragem para entrar em contato e tanto eles, como os BeesCats (RJ), me ajudaram na divulgação para buscar integrantes para o time. Em questão de poucas horas tínhamos cerca de 40 pessoas interessadas e montamos um grupo de conversa no WhatsApp”.

Gustavo diz que tem pessoas que, no Bharbixas, estão jogando futebol pela primeira vez. “Eles tiveram uma experiência traumática na infância. Sempre eram os últimos a serem escolhidos nas aulas de educação física ou então nem eram chamados. Não tinham a oportunidade pelo simples fato deles manifestarem sua homossexualidade. É justamente para dar esse espaço que o time foi montado”.

O nome foi escolhido por meio de votação. “Nós colocamos o BH remetendo a Belo Horizonte e também para lembrar que a cidade é conhecida como a capital dos barzinhos. E no final fizemos uma brincadeira com o intuito de acabar com esse preconceito de ficar usando a palavra bicha no sentido pejorativo. Este ano, a equipe já planeja participar novamente da Champions LiGay. “Estamos olhando a questão de patrocinadores para viabilizar a ida de todos os jogadores a um custo acessível e até mesmo nossas torcidas. E quem sabe conquistar o bicampeonato”, finaliza.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.