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Música alta no fone de ouvido pode causar perda gradativa da audição

Nosso celular emite um alerta claro ao aumentarmos o volume: “Ouvi-lo alto por um longo período pode danificar sua audição. Deseja aumentá-lo mesmo assim?”. Porém, a mensagem é ignorada por muitos. Segundo a OMS, cerca de 1,1 bilhão de adolescentes e jovens adultos estão em risco de perda auditiva. O motivo? O uso excessivo e incorreto de fone de ouvido, além de exposição a níveis sonoros prejudiciais como em bares, boates e eventos esportivos.

De acordo com o otorrinolaringologista Marcelo de Sousa, a pessoa pode ter uma perda gradativa da audição. “É diferente dela ficar surda. A diminuição da audição é por algumas frequências e em determinada intensidade que pode, ou não, atrapalhar o indivíduo. A perda pelo excesso de ruído para de evoluir quando acaba a exposição a esse barulho”.

Ele acrescenta que, no caso do fone de ouvido, o que manda é a altura. “A pessoa pode usar o acessório o dia todo, mas se o som for baixo, não terá problema nenhum. Entretanto, o volume alto por muito tempo é perigoso”.

A perda gradativa da audição apresenta um sinal. “O zumbido, que é aquele apitinho chato no ouvido. Às vezes, ele é o primeiro sinal que o corpo dá de que algo está errado com nosso aparelho auditivo”.

Existe uma regra conhecida como 60/60 na hora do uso do fone. “A pessoa deve ficar uma hora no máximo, porque aí dá um descanso para a audição. Além disso, a altura não deve ultrapassar 60% do volume total, se for aquelas que tem a barrinha, um pouco além da metade dela. Outra orientação, é que a pessoa que está do seu lado não deve ouvir a música que sai do seu fone, pois isso é um sinal de que está muito alto”.

Outra dica do especialista é optar por fones que protejam o ouvido dos sons externos. “Dessa maneira é possível ouvir a música em volume baixo sem interferência. Os fones estilo concha, que tampam todo o ouvido, são ideais para isso. Mas têm empresas que disponibilizam o acessório de qualquer modelo com dispositivos que isolam o som ambiente”.

O vigia noturno Francisco Aécio optou por um fone que possui esse tipo de proteção. “Eu não saio de casa sem o acessório. Na maioria das vezes coloco no último volume e só abaixo quando o ouvido começa a doer. Comprei um intra auricular, que fica bem encaixado e abafa o ruído externo”.

Ele acrescenta que já notou uma diferença na audição proveniente do hábito. “Noto que estou ouvindo menos, porém nunca tive zumbido. Acho que a minha perda é baixa e confesso que me preocupa um pouco”.

O otorrino adiciona que o ruído externo também pode atrapalhar. “Mas nós não temos essa exposição no cotidiano, a não ser funcionários de indústrias que, hoje, já são protegidos por leis e equipamentos. Porém, a poluição sonora do dia a dia, por exemplo, de quem vive ou trabalha em uma avenida muito movimentada, não afeta a audição, mas pode causar irritabilidade, transtornos psíquicos e alterações no humor”.

Música x Audição
A exposição excessiva a ruídos é muito comum no mundo da música. Cantores famosos como Chris Martin, vocalista do Coldplay; Will.i.am, fundador do Black Eyed Peas; o músico Phil Collins e o metaleiro Ozzy Ousborne são exemplos de pessoas que sofrem problemas na audição provenientes da exposição excessiva ao volume alto.

A banda norte-americana Pearl Jam investiu, no ano passado, em uma ação a fim de conscientizar as pessoas a respeito dos danos causados pela música em volume excessivo. Em sua turnê, a banda distribuiu plugs auriculares para serem utilizados durante o show. Os fãs postaram fotos da campanha em suas redes sociais com a hashtag #pjcares.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.