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50% dos alunos beneficiados pelo Fies estão inadimplentes

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) tem possibilitado o acesso de milhares de estudantes de baixa renda em instituições privadas de ensino superior. No entanto, o programa vem enfrentando problemas constantes de inadimplência. Com a recessão dos últimos anos e a falta de emprego, muitos alunos que aderiram ao Fies e já concluíram a graduação, não tem conseguido manter o pagamento das obrigações em dia. Em 2016, a taxa de devedores atingiu 50,1% e representou um rombo de R$ 32 bilhões, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).

Para Leandro Gomes, graduado em psicologia em 2014, o salário que recebe não é suficiente para cobrir a mensalidade da dívida. “Eu financiei 10% o valor da mensalidade pelo Fies. Fiz meu planejamento financeiro e tinha certeza de que daria certo o pagamento. Por mês pago cerca de R$ 210 e já consegui quitar 16 parcelas. Mas nos últimos meses tudo aumentou de preço e não estou conseguindo manter esse compromisso. Além do Fies, tenho outras obrigações que também não posso deixar de pagar”, explica.

Nayara Lima, formada em administração, também possui mensalidades atrasadas. O problema é que ela foi desligada da empresa onde trabalhava e ainda não conseguiu se recolocar no mercado. “Eu já vinha tendo dificuldades em pagar as mensalidades do financiamento. E essa demissão inesperada agravou ainda mais a situação. Já enviei currículo para várias empresas e estou aguardando uma vaga que tenha um salário compatível para cobrir a prestação do Fies”. Ela afirma que assim que conseguir um emprego ainda precisará colocar outras despesas em dia como contas de telefone, internet, água e luz.

Novo Fies
E para tentar reduzir a inadimplência e garantir a continuidade do Fies, o governo federal alterou as regras do programa que passam a valer para os contratos assinados a partir de 2018. De acordo com o ministro da Educação, Mendonça Filho, o novo Fies é mais sustentável e vai atender, realmente, quem mais necessita. “Não adianta haver picos de crescimento, de oferta de crédito e logo mais a conta volta para o contribuinte. O novo Fies segura uma política pública dirigida aos mais pobres, preservando o equilíbrio fiscal”. A expectativa do MEC é que a taxa de inadimplência caia para uma média de 30%.

Este ano o programa vai oferecer 310 mil vagas. As principais mudanças estão no valor da taxa de juros, carência após a conclusão do curso e ampliação da faixa de renda para os interessados no financiamento. O novo Fies é dividido em três modalidades, sendo a primeira destinada à oferta de 100 mil vagas a juro zero, reservadas a estudantes que tenham renda familiar per capita mensal de até três salários mínimos. A segunda modalidade é destinada às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e abre 150 mil vagas para alunos com renda per capita mensal de até cinco salários. Já a terceira modalidade oferece 60 mil vagas para as demais regiões do Brasil, sendo os recursos oriundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A segunda e terceira modalidade terá juros variáveis de acordo com a instituição financeira onde for fechado o financiamento. Antes, a taxa de juros do Fies era fixa de 6,5% ao ano. O prazo de carência de 18 meses, após a conclusão do curso, para começar a pagar o financiamento foi extinto. Agora, o aluno deve iniciar o pagamento no mês seguinte ao término do curso, desde que esteja empregado.

O prazo máximo para quitação será de 14 anos. As alterações no programa também incluem a criação de um Fundo Garantidor do Fies (FG-Fies), que será de adesão obrigatória pelas faculdades participantes. O objetivo é garantir o crédito para os financiamentos contratados. E apesar de aportes da União, esse fundo será formado, em maior parcela, por aportes das instituições.

Principais mudanças do FIES
20172018
Renda familiar
No máximo três salários mínimos de renda familiar per capita
Renda familiar
Variável de acordo com a modalidade, sendo entre três até cinco salários mínimos de renda familiar
Carência
18 meses para começar a pagar, após a conclusão do curso
Carência
A partir do mês seguinte do término da graduação, desde que esteja empregado
Juros
Valor fixo de 6,5% ao ano
Juros
Taxa zero na primeira modalidade. As demais modalidades têm juros variáveis de acordo com o banco onde for fechado o financiamento
Limite de mensalidade
Valor máximo de mensalidade financiada de R$ 5 mil
Limite de mensalidade
Ainda não estão previstos valores máximos
Bancos
Somente Caixa Econômica e Banco do Brasil
Bancos
A primeira e segunda modalidade são de exclusividade da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. Instituições financeiras privadas poderão operar a terceira modalidade
Valor financiado
Varia ao longo do curso, seguindo os reajustes das mensalidades
Valor financiado
O aluno vai saber o valor total da dívida ao assinar o contrato
Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.