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O senador voltou

Aécio Neves. Movimentações recentes no tabuleiro político mineiro mostram que o jogo vai começar. No último dia 18, o senador Aécio Neves (PSDB) concedeu uma entrevista ao Estado de Minas em que deixa claro que vai estar na briga e parece que não está para brincadeira. Dias antes soltou em entrevista à Rádio Itatiaia, que não descarta a hipótese de disputar ele mesmo o governo do Estado, no que eu, particularmente, acho que foi só um termômetro para testar a temperatura política.

Fato é que o desgaste político, jurídico e administrativo do governo Pimentel (PT) abre uma excelente chance para o grupo oposicionista. Salários atrasados, máquina inchada e um governador acuado sob denúncias até muito piores em relação as que atingem Aécio, faz com que o PT corra um sério risco de perder o Palácio da Liberdade.

É lógico que as sucessivas derrotas tanto no Estado quanto na capital devem ter servido de lição a Aécio e seu grupo. Quem convive na intimidade do senador diz que ele está “sereno” em relação às denúncias, que “vai encará-las de frente” e olhar “olho no olho dos mineiros”. Até acho que sim, mas não dá pra fazer isso morando no Rio de Janeiro. É inadmissível um senador mineiro que não more, nem digo em Belo Horizonte, mas pelo menos no Estado.

Anastasia. Em conversa com um deputado influente do PMDB-MG Antonio Anastasia (PSDB) foi categórico em dizer que em hipótese nenhuma disputaria o governo do Estado em 2018. Na primeira semana de dezembro ele apareceu em evento com cara de comício do ex-presidente da Assembleia, Dinis Pinheiro (PP), discursou, mas embolou o jogo quando no dia seguinte disse que o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB) vai ter protagonismo na eleição de 2018.

Mesmo com todos os desgastes do governo Pimentel, se não houver uma união de forças em torno de uma única candidatura de oposição, a chapa governista corre um risco de se reeleger sim. Nos bastidores sempre existe o mimimi de que “Aécio perdeu força”, que “não vamos esperar a decisão do Aécio”, mas quem conhece o quadro sabe bem que na oposição a banda toca de acordo com o ritmo do “senador”. Tirando Aécio e o próprio Anastasia não existem nomes competitivos na oposição. Dinis tentou, mas, por erros de estratégia que considero primários, não decolou. Como candidato a governador ele tem feito uma bela campanha pra deputado federal. A novidade pode sim ficar por conta de Pacheco.

Já disse aqui várias vezes que não acredito em política fora da política. Essa eleição será a eleição da articulação, da comparação, da paciência e do jogo cara a cara. E venhamos e convenhamos, se compararmos os governos do PSDB com o do PT em Minas Gerais, quem o Aécio ungir será o próximo governador. Aguardemos as movimentações das peças.
Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

*Jornalista e consultor em marketing político e governamental

Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado Aécio