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Erotização infantil pode afetar desenvolvimento das crianças

Crédito: Reprodução/Internet

É na infância que o indivíduo desenvolve seus sentidos e capacidades. Nessa fase, as crianças aprendem com o que vivenciam, escutam e veem. Nos tempos modernos é comum que elas sejam expostas a conteúdos inadequados à sua idade, fazendo com que se inicie um processo de erotização infantil.

Para entender melhor o assunto, o Edição do Brasil conversou com a psicóloga especialista na área de Saúde da Criança e do Adolescente, Soraia Sena.

 O que é erotização infantil?

É uma exposição da criança a conteúdos inapropriados a sua idade. Essa é uma questão da hipermodernidade e está presente no século XXI. Contudo, existe um contexto histórico, pois nas gerações passadas, por exemplo, as mulheres se casavam com 12 anos e tinham filhos. Os homens começavam a trabalhar muito novos e isso não era visto como erotização. Alguns endocrinologistas apontam que hoje até o corpo das crianças está se desenvolvendo de forma precoce.

O termo adultização é muito citado. Há diferença entre um e outro?
As crianças se identificam com os pais, por isso, as meninas sempre querem usar salto e passar maquiagem e os meninos estão ligados a questão da virilidade. Isso faz parte do processo psicológico dos pequenos. Se é na perspectiva lúdica, não há problema. Contudo, quando os pais passam a deixar que isso entre na rotina, menina vai sair e usar maquiagem criando uma adultização que pode abrir margem para a erotização.

A sexualidade deve ser apresentada a criança de algum modo? Como isso pode ser feito sem que ela avance etapas?

É preciso um monitoramento nessa questão. A vida moderna tem imposto muita coisa às famílias. Pai e mãe trabalhando fora e delegando os filhos a terceiros que não os monitoram da maneira correta, muitas vezes por não ter qualificação para isso. Às vezes, a criança fica o dia inteiro em casa, sozinha e tem acesso a internet e televisão. Se ela não tem limite, fica à mercê dessa erotização. Foi constatado, em pesquisa, que isso abre margem para o autoerotismo e, como consequência, ela pode ir as vias de fato, vivenciando uma sexualidade precoce.

O fácil acesso que as crianças têm a internet e mídias digitais pode ser um agravante para essa erotização?

Sim. Por isso é preciso um monitoramento. Sem ele fica difícil, porque a internet tem o lado positivo, que é passar informações. E ao mesmo tempo isso tem um rumo fatídico que é o acesso a coisas inadequadas, como a pornografia.

A criança entende a erotização?

Não. A cabeça dela fica confusa porque é algo que leva a uma autoexploração que proporciona um prazer fácil e imediato. Aguardar as coisas do jeito que deveriam ser é um trabalho muito maior e aprender a ter prazer na sublimação, que é o desenvolver de habilidades socialmente aceitas: cognitiva, artística e esportiva. Para a criança sair disso é preciso uma oferta de atividades que a estimulem, porque se ela fica solitária, a primeira coisa que faz é querer explorar o corpo, muitas vezes fora da época e sem um esclarecimento.

Qual o limite que os pais devem ter na exposição das crianças à vida deles como um casal?

Essa questão passa pela afetividade. Não é ruim que os filhos vejam um beijo entre os pais, desde que haja afeto. Eles vão entender que trata-se de um casal que se ama e isso é saudável. Mas tudo depende de como é conduzido, se o casal vai às vias de fato, deve haver uma privacidade, ou seja, porta fechada. Para a criança é traumático ver uma cena assim, ela não entende como ato de amor. É preciso preservá-la.

Qual a principal consequência da erotização no desenvolvimento da criança?

Dificuldade no aprendizado. Ela passa a viver um imediatismo da informação e para aprender algo, de fato, é preciso mais elaboração e trabalho mental. Isso pode gerar um fracasso escolar. Uma criança erotizada vai desenvolver menos vontade de fazer o labor cognitivo, artístico ou esportivo.


Alerta: “Estamos vivendo um mundo moderno, em que as pessoas deixam suas crianças com terceiros e, muitas vezes, não se sabe seus valores e limites. O estrago pode ser grande. Isso nasce na família e tem que haver uma conscientização dos pais. Eles devem ter uma crítica do que é ser criança e qual o tempo certo para as coisas. Educar é muito trabalhoso”.


 

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.