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Pesquisa revela que brasileiro não sabe administrar dinheiro

Crédito: Pixabay

A expressão jeitinho brasileiro não existe por acaso. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), identificou que existem cinco perfis relacionados à forma com que as pessoas administram suas finanças: construtor, camaleão, planejador, despreocupado e sonhador.

O estudo quis investigar o porquê que os investimentos são tão baixos no país a fim de desenvolver estratégias de educação financeira. A análise mostrou ainda que o relacionamento com o dinheiro é um reflexo da visão de mundo das pessoas. Ademais, o perfil predominante, com 30%, é construtor, ou seja, aquele que poupa dinheiro, mesmo que seja em pequenas quantidades. Esse grupo se preocupa com o futuro, a afirmação “sou do tipo que guarda sempre um pouco para o amanhã”, faz sentido para 76,97% dos entrevistados. Outra característica é acumular dinheiro. Segundo 55,5% dos construtores, “dinheiro é transformação, cada real ajuda a fazer as coisas acontecerem”. Contudo, eles são mais intuitivos e emocionais do que estratégicos e racionais. Como o operador de programação Henrique Coutinho. Ele conta que guarda pelo menos R$ 100 por mês para casar. E se preocupa com os gastos fora do orçamento. Perguntado se ele teria R$ 300 para emprestar, ele disse que não, pois o dinheiro tem destino certo.

De mais e de menos

Os camaleões representam 29% da população ficando em segundo lugar.  Esse grupo se adapta as condições do momento. Se tem dinheiro gasta, se não tem, dá um jeito de pagar as contas. A frase “todo dinheiro que entra é para pagar as contas do mês” é verdadeira para 70% dos entrevistados. E a afirmativa: “não consigo poupar, os gastos consomem tudo o que eu ganho no mês”, é recorrente para 63,37%. Eles têm conta poupança para evitar taxas e tem mais de um cartão de crédito com data de vencimento distintas. Ainda segundo a sondagem, entre os camaleões, 73% estão na classe C, 25% na B e 2% na A.

Já os planejadores, o terceiro do ranking, com 22% dos brasileiros têm um perfil extremamente habilidoso e organizado. Para 62% deles, guardar dinheiro é um compromisso inadiável. Inclusive, esse é o perfil com o qual o mercado financeiro e de capitais está habituado a se comunicar. O estudo aponta que 47,22% enxergam o banco como um aliado, ideia diferente dos demais grupos. Eles não se importam com o meio e sim com o resultado final, mudando de profissão, cidade etc.

Pertencente a esse grupo com uma pitada de construtora, a estudante de direito Iara Amorim se mostra organizada quando o assunto é dinheiro. “Separo para pagar as contas, situações corriqueiras como alimentação e lazer, além disso, uma parte vai para a poupança”.

Em relação a classe social, a pesquisa mostra que a maioria pertence à classe C com 57%. Já a grande parte deles está da classe B (36%) e o restante da A (7%).

Cabeça fria e mente aberta

Os despreocupados agarram as oportunidades que aparecem pela frente, se der certo ótimo. Se não, bola para frente. 63,66% dos entrevistados afirmaram que não se preocupam em poupar e nem em investir. Para eles, o dinheiro é prazer e necessário para fazer coisas de seu interesse. 59,24% deles também são otimistas, visto que afirmam gastar sem pensar, pois sempre conseguem dar um jeito no final. No entanto, a maioria tem um porto seguro financeiro familiar. A região que mais concentra despreocupados é a Sudeste (44%). Já em relação a classe social, 70% são da C, seguida pela B (23%) e A (7%).

Já os sonhadores, último e menor grupo, correspondendo a 6% da população, o dinheiro é apenas um meio de realizar sonhos. Segundo a pesquisa, os investimentos financeiros do sonhador são inconstantes, estão sujeitos a altos e baixos, lotados de ousadia e risco. 52% deles concluíram o ensino médio, 26% o fundamental e 22% o superior. Por classe social 65% são da classe C, 31% na B e 4% na A.


Qual é o seu perfil?

  • Construtor

Realista

Organizado, controlado e desconfiado

Tem jogo de cintura

Não se incomodam em poupar o que sobra

Média de idade é de 41,8 anos

  • Camaleão

Tem o jeitinho brasileiro

Organizado

Todo dinheiro que entra é para pagar conta

Não conseguem poupar

Gerações X e baby boomers

  • Planejador

Obsessivo

Sem dívidas

Líder e movido a desafios

Racional

Maioria pertence a Geração Z

  • Despreocupado

Inconsistente

Hedonista e imediatista

Jogo de cintura

Descontrole

Maioria da Geração Z

  • Sonhador

Idealista

Curioso, intuitivo

Gosta de riscos

Impulsivo

Vive o futuro

Maioria da Geração Z


 

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.