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Sobre crise político-econômica, de identidade e de caráter

Brasília. Passa tempo, entra tempo, e não conseguimos vislumbrar uma saída para a crise que há uns 4 anos se abateu sobre o país. Crise econômica, política, moral. A “era dos extremos”, parafraseando o título da obra de Eric Hobsbawm, se abateu sobre nós. Com um governo central impopular, perdido em meio a denúncias de corrupção e cego ante as demandas claras da população, a nau brasileira navega em um oceano turbulento, em meio à tempestade, e com um capitão enfraquecido para comandá-la.

Não só no Executivo, mas no Legislativo e no Judiciário parece faltar senso das urgências nacionais. Os recentes temas no Congresso Nacional não refletem em nada os clamores da população. São no máximo jogadas para plateias específicas e defesas de interesses menores de uma esmagadora maioria de deputados, literalmente despreparados intelectual – e em alguns casos moralmente – para exercerem suas funções constitucionais.

Na cúpula do Judiciário, a politicagem tomou conta do Supremo Tribunal Federal, mormente na atuação do ministro Gilmar Mendes, que mais se assemelha a um comentarista político do que um juiz. Mais parece advogado do que julgador. E falando de STF, não posso deixar de observar o desempenho pífio da ministra Carmen Lúcia como presidente da Corte Maior. Fraca! Para dizer o mínimo e para o desespero dos seus adoradores, filhos da PUC.

Caberia aqui, talvez, alguns comentários sobre a Procuradoria Geral da República, mas basta ver as presepadas finais de Rodrigo Janot no cargo para chegar à conclusão que a politicagem ali também chegou e fez morada. A PGR sob Rodrigo Janot mais parecia uma promotoria do interior, onde muitas das vezes promotores cavam verdadeiras perseguições pessoais contra prefeitos. Cansei de ver e, em certo momento, ser vítima da sanha moralizadora dessa gente que se acha os arautos da ética e da moralidade.

Belo Horizonte. O cenário nacional reflete no debate político da capital e a todos que me perguntam tenho afirmado categoricamente: Fernando Pimentel (PT) segue favorito à reeleição, não por ser o melhor, mas por mais absoluta falta de opção. Com Aécio Neves (PSDB) na linha de tiro, o senador Antonio Anastasia (PSDB), que já não vinha dando sinais de empolgação para a disputa, sabe que, se colocar a cabeça pra fora, a pancada desce. Márcio Lacerda (PSB) até agora não disse a que veio.

Vittorio Medioli (PHS) segue observado. Romeu Zema vem com essa bobagem do “não sou político, sou gestor”, como se fosse possível separar política da vida pública. Dinis Pinheiro (PP) segue, como candidato a governador, fazendo uma excelente campanha para deputado federal, no máximo, senador, a depender da composição, que, mesmo na berlinda, o Aécio mandar eles fazerem. A candidatura da oposição ao governo de Minas em 2018 vai ser igual viagem de caminhão de porco: na hora que sai, sai todos gritando e mordendo uns aos outros. Depois de andar os primeiros quilômetros, todos se acomodam.

William Waack. Não devo satisfações a ninguém. Sou dono das minhas opiniões. E essa independência custa caro. Quem no ambiente privado nunca soltou alguma piada machista ou racista, atire a primeira pedra! Falei de STF aí em cima. Lembro que, em uma entrevista, o ministro Luís Roberto Barroso qualificou o também ministro Joaquim Barbosa como um “negro de primeira linha”. Percebeu a gafe. Pediu desculpas. Como Waack fez. Mesmo sem motivo, ao meu ver, pois sua fala se deu no ambiente privado, fora do ambiente do debate público, onde ele é um dos nomes mais preparados e qualificados do país. Quem gravou esse vídeo, o guardou por mais de um ano, num cálculo frio de como usá-lo. A exemplo das estrelas “abusadas sexualmente” em Hollywood, acho que a indignação veio tarde. Veio seletiva. Veio pra polemizar. Aos colegas indignados da imprensa, vale destacar que na atualidade ninguém qualifica e representa tão bem o ofício como Waack. Escolham os 10 nomes mais importantes do jornalismo brasileiro de todos os tempos. Ele estará entre eles. Não conheço ninguém no país que tenha sua cultura em matéria de relações internacionais, ciência política e que domine bibliografia tão vasta na área. Waack está sendo vítima de uma caçada idiota e moralista de bordel.

*Jornalista, mestre em Ciência Política e consultor em Marketing Político. – flausino.adv@gmail.com