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Eficiência do horário de verão é colocada em xeque

Para felicidade de alguns e tristeza de outros, o horário de verão chegou. Implantado no Brasil desde 1985, a mudança no relógio ainda gera diversas polêmicas, principalmente após o estudo do Ministério de Minas e Energia (MME) apontar que, devido a mudança de hábitos e a chegada da tecnologia, adiantar uma hora não gera economia energética.

Para os pesquisadores do MME, a temperatura é o que mais influencia os hábitos do consumidor e não a incidência da luz durante o dia. Além disso, a popularização dos aparelhos de ar condicionado também tem elevado o gasto.

O engenheiro de planejamento energético da Cemig, Wilson Fernandes Lages, afirma que, apesar das mudanças causadas com a alteração para o sistema energético, o horário de verão é benéfico. “Atualmente, mais de 80 países, como os EUA e quase toda a Europa, adotam essa medida justamente pelas vantagens que ela traz”.

Lages afirma que o aumento da carga energética não é resultado do horário de verão, mas sim das altas temperaturas desta época do ano. Para ele, a principal vantagem da mudança é outra. “O benefício mais relevante é a redução do pico do consumo, entre às 18h e 23h”.

O especialista acrescenta que a adoção da medida diminui o risco de blackout durante a noite, pois no período de calor é quando mais se consome energia elétrica. “Os operadores do sistema energético trabalham para evitar isso a qualquer custo, pois um apagão noturno, horário no qual a maioria das pessoas estão em casa, é uma tragédia”.

Além disso, Lages esclarece o porquê de apenas alguns Estados brasileiros ter de adiantar o relógio. “Quanto mais próximo da linha do Equador, menor o efeito do horário de verão, pois não há muita diferença da duração do dia e número de horas do sol. Já nas regiões extremas do polo a exposição solar pode ser de até 4 horas a mais do que em relação ao inverno”.

Você ama ou odeia?
A gerente de relacionamentos Márcia Cristina faz parte das pessoas que gostam do horário de verão. Para ela, o dia rende mais. “Saio do trabalho ainda de dia, tenho mais ânimo para ir para a academia ou a um boteco. No final de semana, curto uma piscina e aproveito mais as férias. Além disso, acho que para o Carnaval é melhor, principalmente para quem têm filhos, porque você pode ficar mais tempo na rua”.

Já a gerente de marketing Lorena Borges não vê sentido nessa mudança. Ela acredita que o principal motivo para o horário de verão ser adotado não é alcançado. “Uma das justificativas é a economia de energia. Eu trabalho em escritório com ar condicionado e quando chega o final do dia, período mais fresco, a gente desliga. Porém, com horário de verão, ele fica ligado até o fim do expediente, pois os dias estão superquentes. Ademais, sair cedo de casa para trabalhar é ruim porque está muito escuro e voltar também não é legal, pois ainda tem aquele sol forte e temos que enfrentar ônibus e/ou trânsito”.

Você sabia?
O Brasil teve que adiantar os seus relógios pela primeira vez em 1931, após decreto de Getúlio Vargas e, até 1968, a adesão ou não dependia da vontade do presidente. Em 1985, o país realmente implementou a medida.