Home > Geral > Quase 32 mil pessoas são vítimas de estelionato por ano em Minas

Quase 32 mil pessoas são vítimas de estelionato por ano em Minas

Golpe prejudica milhões

Eles estão nas redes sociais, em grupos de amigos no WhatsApp e, até mesmo, em rodas de conversas. Os esquemas de pirâmides financeiras continuam gerando prejuízos para milhares de pessoas em todo o mundo. De tempo em tempo eles mudam de nome, mas o objetivo é sempre o mesmo: fazer o maior número de vítimas possível.

Mais de 13 milhões de brasileiros estão desempregados e não conseguem recolocação no mercado, com isso, esquemas para ganhar dinheiro fácil vira opção para muitos, seja por necessidade ou ingenuidade. Para quem não lembra, a Telexfree que estourou em 2013, chegou a movimentar R$ 3 bilhões.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de Minas Gerais, informa que não há registro separado para esse tipo de crime, pois eles são associados ao estelionato. Em números totais, Minas contabilizou em 2016, 31.510 casos e, neste ano, até julho, já foram 19.456. Em Belo Horizonte, no ano passado, foram 8.262 registros, em 2017, até julho já somam 5.032.

REGISTRO DE ESTELIONATO
2016 2017 (Janeiro a julho)
Minas Gerais Jan. a julho: 18.371

Ano todo: 31.510

19.456
Belo Horizonte Jan. a Julho: 4.840

Ano todo: 8.262

5.032

Fonte: Armazém de dados Reds/Sesp

O delegado da Polícia Civil Alex Machado conta que, historicamente, os grandes golpes de pirâmides financeiras ocorrem quando o país está em crise. “É um meio que os golpistas arrumam para ganhar dinheiro em meio à crise econômica”.

Ele explica que esse esquema funciona da seguinte maneira: “Eles convidam pessoas para fazer um investimento financeiro que varia de R$ 100 a R$ 200, não há um valor fixo. Quando a pessoa entra, ela investe e precisa indicar outro nome para ganhar uma porcentagem pela indicação e, assim, sucessivamente. Para cada indicado se recebe uma porcentagem, só que chega uma hora que essa rede não vai mais se autopagar. Paralelo a isso, os golpistas monitoram e controlam o dinheiro para achar o momento certo para fugir com toda a quantia arrecadada”.

O delegado esclarece ainda que a pessoa deve ter em mente que não existe investimento fora de uma instituição financeira legalizada (como bancos credenciados ao Banco Central). “É preciso tomar cuidado porque a cada dia eles usam nomes e conotações diferentes. Hoje, para disfarçar esse esquema que é conhecido e proibido por lei, eles estão misturando a pirâmide financeira com o mercado multinível, que é legal, tornando o golpe mais sofisticado”.

Machado ressalta que é importante dar exemplo de um mercado multinível legal: “A Hinode você entra no sistema online e faz a compra de um produto, se você recebê-lo é mercado multinível. Esse é permitido e legal. Já se você faz um investimento e não recebe nada em troca você está diante de uma pirâmide financeira. Essa é uma diferenciação básica que os órgãos federais, estaduais e de defesa do consumidor fazem para distinguir o que é lícito e ilícito”.

Esquemas
Mesmo com o relato de muitas pessoas que perderam dinheiro no esquema da Mandala da Sorte – que é uma variação de pirâmide financeira -, ainda há vários grupos nas redes sociais e no WhatsApp.

A promessa de altos ganhos vem em forma de texto e de vídeos explicativos, sem nenhuma grande edição. Para o delegado, a Mandala é uma pirâmide de fundo de quintal. No entanto, a Polícia Civil de Minas tem conhecimento de casos de pirâmide no Estado e realiza o monitoramento, contudo, não pode fornecer mais detalhes para não prejudicar a investigação.

Mesmo sendo ilegal, encontramos vários grupos nas redes sociais. Para o delegado, falta esclarecimento da população, pois a polícia tem advertido sobre o assunto, mas as pessoas teimam em desrespeitar a legislação. “Muitas vezes é de conhecimento e, em outras, é a vontade de ter lucro fácil, burlando a lei. Isso é uma espécie de estelionato e a punição específica para o crime é pequena. Hoje, configura como organização criminosa, cuja pena pode passar de 8 anos e, também, pode ser taxado como crime de lavagem de dinheiro, na qual a pena ao todo pode ser de mais de 20 anos de prisão”, conclui.

Como funciona?
A Mandala é formada por um grupo que participa de quatro níveis diferentes (fogo, ar, terra e água), sendo 8 pessoas no primeiro, 4 no segundo, 2 no terceiro e 1 no centro. Cada integrante deve depositar um valor Y, por exemplo: R$ 125 e indicar dois nomes para ela girar. Quando alguém chega no centro, recebe R$ 1.000, quantia vinda das oito pessoas que estão no primeiro nível. À medida que o grupo aumenta, ele é desmembrado em outros. Depois que a pessoa recebe, pode, se quiser, reiniciar outro ciclo. Para todos saírem no lucro, o “jogo” não pode ter fim, caso contrário os últimos ingressantes perderiam o valor aplicado.

*J.B.D.,  recebeu convite para fazer parte da Mandala. Ele conta que tinha que investir R$ 50 apenas para entrar. J.B.D. chegou a depositar o valor e quando o colocaram em outro grupo, as pessoas sumiram. Ou seja, ele acabou perdendo o dinheiro.

Já *F.G.R., informa que recebeu convite para participar de outro esquema, intitulado como Giro da Sorte, pelo WhatsApp. “Eu tinha que investir R$ 125 e indicar duas pessoas, que também pagariam a mesma quantia, para que a roleta girasse. Decidi não participar, pois conversei com pessoas de confiança e havia uma pressão muito grande para depositar o dinheiro”.

*As fontes preferiram não se identificar

Como denunciar:
“Para denunciar, a pessoa deve fazer um print das telas e juntar o máximo de provas, como número de contas e valores depositados”, orienta o delegado.
Delegacia Especializada de Falsificação, Sonegação Fiscal e Administração Pública / Av. Francisco Sales – 780 / Floresta – BH
Ministério Público Federal, Ministérios Públicos Estaduais e Polícias Civil e Federal.
7 golpes financeiros famosos
Golpe Colibri
Ponzi e os cupons postais
Telexfree
Madoff e a fraude bilionária em Wall Street
Avestruz Master e a criação de aves que não existiam
Rentabilidade astronômica em fundo de Madoff mineiro
Clubes virtuais de sucesso na Agente BR

 

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.