Home > Destaques > Órgão mais doado em vida é o rim

Órgão mais doado em vida é o rim

O que você faria para salvar uma vida? Segundo a nefrologista e coordenadora do setor de transplante do hospital Felício Rocho, Sandra Vilaça, o ato de doar um órgão pode ser um caminho. A médica informa que alguns tecidos e órgãos, como medula óssea, rim, fígado e pulmão podem ser doados em vida, mas o mais comum é o rim. Dados do MG Transplantes mostram que, até julho, 113 de rins foram provenientes de doadores vivos.

A relação entre os as doações e quem precisa dos órgãos não é compatível. Segundo dados do Ministério da Saúde, em dezembro do ano passado, havia 41.042 pessoas aguardando por um transplante – sendo a maior parte delas (24.914) para rim. “Todo ano, entram cerca de 30% a mais de receptores na fila. Assim, nunca conseguimos fechar essa conta e o número de doadores ainda continua insuficiente em relação a quem precisa. Por esse motivo que, quando possível, alguns optam por doadores vivos”.

A médica destaca que, antes de se realizar uma cirurgia como essa, é necessário fazer diversos exames para comprovar que o órgão não será rejeitado pelo receptor. “A escolha de um parente próximo facilita a compatibilidade, pois eles têm mais chances de terem o mesmo DNA”.

Os doadores devem ter entre 21 anos e 60 anos, sendo que os que possuem até 25 anos são chamados de doadores jovens e, justamente por isso, passam por um processo de avaliação psicológica para verificar se realmente tem consciência da decisão. “Doar órgãos é um procedimento seguro e que respeita leis federais e portarias estaduais. Preferimos fazer transplantes com doadores cadáveres, afinal nunca se sabe se quem está doando vai ter alguma doença, futuramente, que afete o órgão cedido”.

Doação em vida
“A doação de órgão é mais do que um símbolo de amor. É uma prova de renovação da vida”, sintetiza a médica. E foi exatamente esse o sentimento vivenciado pelo empresário Roldinelli Araújo, 37.

Há 13 anos, ele foi diagnosticado com glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF), doença rara que afeta os rins. Roldinelli conta que fez o tratamento com um nefrologista que controlou a enfermidade por 5 anos. “Comecei a fazer hemodiálise, mas a clínica onde eu realizava o tratamento me colocou na fila de espera para um transplante, pois o meu rim não aguentaria mais tempo”.

Neste período ele ficou sabendo da possibilidade de um parente próximo doar. Nem o pai e a irmã puderam realizar a cirurgia, pois o primeiro tinha a pressão alta e a segunda ainda não havia engravidado. “Com a minha mãe estava tudo bem e houve compatibilidade”.

Atualmente, Roldinelli e a sua mãe, Nilda Servula, 59, levam uma vida normal, sem restrições, mas com alguns cuidados diários, como tomar remédios para evitar a rejeição do órgão, no caso do empresário, e ir ao médico trimestralmente.

PARA DOAR ÓRGÃOS EM VIDA É NECESSÁRIO:
• Ser um cidadão juridicamente capaz;
• Estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais do doador;
• Avaliação de um médico afastando a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde do receptor durante e após a doação;
• Doar um dos órgãos ou tecidos que sejam duplos e não impeçam o organismo do doador de continuar funcionando;
• Ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante;
• Ser parente de até quarto grau, cônjuge ou não parente. A doação só poderá ser feita com autorização judicial.

Ficou sabendo? 

A cantora norte-americana, Selena Gomez passou por um transplante de rim. Em sua conta no Instagram, a artista postou uma foto ao lado de uma das suas melhores amigas e doadora do órgão, a atriz Francia Raisa, conhecida pela série The Secret Life of the American Teenager. Selena possui lúpus, uma doença autoimune, e a cirurgia fez parte do tratamento da enfermidade.