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Mal de Alzheimer atinge 1,3 milhão de pessoas no país

Neste mês, uma história emocionou a todos. Após ser diagnosticada com mal de Alzheimer, a avó de Leonardo Martins escreveu uma carta para relatar o quanto estava feliz de ver o neto ingressar na faculdade. Com medo de perder aquelas palavras, ele tatuou a mensagem no seu corpo.

Para explicar o motivo de tal atitude, Leonardo fez um post no Facebook – que possui mais de 339 mil curtidas e 142.220 compartilhamentos -, no qual descreve como foi o processo de descoberta da doença. “O arroz foi queimando mais vezes, as comidas ficando sem sal. Alguma coisa tinha, a vó esqueceu até a idade outro dia. Há dois meses deu um branco no horário de tomar os cinco remédios, até chorou de desespero. E ela tá mais quietinha, tadinha, quer ficar o dia todo no quarto dormindo. Tudo terminava em ‘tô meio esquecida hoje’”.

Assim como a avó de Leonardo, segundo dados do Instituto Alzheimer Brasil, 1,3 milhão de brasileiros são acometidos pela doença. Essa patologia ainda não possui cura e atinge, principalmente, idosos a partir dos 65 anos. A geriatra Eliane Rocha explica que o principal sintoma é a perda de memória recente. “Às vezes, o idoso lembra do que comeu no Natal de 40 anos atrás, mas não se recorda do que tomou de café da manhã naquele dia. É importante destacar também que esse esquecimento é comum, mas quando trata-se de Alzheimer, isso começa a ter repercussão funcional na vida do paciente e traz prejuízo, como dificuldade para se relacionar socialmente”.

A médica destaca que existem alguns fatores que podem aumentar a probabilidade da doença. “A depressão pode ser um agravante. Muitas vezes, essa enfermidade é o primeiro sinal da doença. Há estudos que falam que o Alzheimer atinge mais facilmente aqueles que possuem pouco estudo: quando mais a pessoas desenvolve o cérebro, mais lentamente a patologia o atinge. E quem possui Síndrome de Down tem possibilidade de ter o problema mais cedo”.

Diagnóstico e tratamento
Eliane diz que não existe um exame que pode comprovar com precisão de que aquele idoso está com mal de Alzheimer. Por isso, o diagnóstico feito pelo médico, no geral, leva em consideração o histórico do paciente e os testes feitos são para descartar outros tipos de doença. “Semente a autópsia cerebral, realizada depois da morte, pode confirmar se a pessoa teve Alzheimer”

A geriatra fala que existem dois tipos de tratamentos: o farmacológico e as intervenções sem remédios. O primeiro é aquele em que o médico receita o medicamento para evitar o progresso da doença e os sintomas que ela causa. “Por exemplo, o paciente está com depressão, então, usa-se um remédio para inibir isso. Além desses, há os anticolinesterásicos, que não interferem na evolução da doença. O que esses medicamentos costumam fazer – e não são todos que toleram, pois eles têm muito efeito colateral – é permitir que os sintomas apareçam mais tardiamente, mas na hora que perdem o efeito, o idoso evolui rapidamente para o quadro que deveria estar se não tivesse tomado o remédio”.

Apesar disso, a médica defende o uso desses medicamentos. “A medicação vale a pena, pois consegue manter o paciente em uma fase melhor por mais tempo”.

Já as intervenções não farmacológicas consistem em adaptar o cotidiano do idoso para que ele tenha uma boa qualidade de vida. “Se o paciente está naquela fase que se perde em casa, então a família pode criar mecanismo para facilitar a localização. Ou se está com dificuldade para abotoar a camisa sozinho, compra-se aquelas com velcro. Todo tratamento é voltado para manter a independência e autonomia do paciente para a maior parte das atividades possíveis e por mais tempo”.

A geriatra Eliane Rocha alerta que uma das primeiras coisas que os familiares devem fazer quando o idoso descobre que possui mal de Alzheimer é desenvolver mecanismos de identificação daquela pessoa. Por exemplo, anotar o nome e telefone de um filho nas roupas do paciente ou uma pulseira.

A pesquisa do professor Leandro Bergantin, da Universidade Federal de São Paulo (USP), pode ser um passo importante na descoberta de medicamentos para prevenção de Alzheimer e  mal de Parkinson. O estudo pretendia entender o mecanismo pelo qual os bloqueadores de cálcio, usados para reduzir a pressão arterial, por vezes tinham o efeito contrário. Entretanto, no decorrer da pesquisa, o professor notou que o medicamento poderia ser voltado para doenças neurodegenerativas e psiquiátricas.