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Divisão do PMDB mineiro pode estar com dias contados

Ivair Nogueira quer unir as duas alas do partido - Crédito: Wilian Dias

Considerado, atualmente, o maior partido de Minas com centenas de prefeitos, inúmeros vereadores e diretórios em mais de 600 municípios, o PMDB está caminhando para um final de ano bem dividido. E isso se reafirmou depois da decisão da cúpula nacional da sigla ao anunciar o adiamento das convenções estaduais, passando de outubro deste ano para o mesmo mês em 2018.

Afastado do noticiário político, devido a uma briga com o governador Fernando Pimentel (PT), o vice-governador Antônio Andrade, presidente dos peemedebistas mineiros, permanece na espreita. Atento, se houver o afastamento de Pimentel, ele pretende assumir o governo do Estado a qualquer momento e, nesse caso, se tonaria o candidato natural à reeleição. Andrade pode ainda fazer um acordo para ser candidato ao Senado. A sua última opção seria ficar ausente do pleito no próximo ano e apoiar o seu filho, o advogado Eduardo Andrade, para disputar uma vaga na Câmara Federal.

Mesmo sendo presidente de um partido com problemas, Antônio Andrade, dificilmente perderia o comando. A avaliação interna é que o grupo de deputados estaduais contra a sua administração não teria prestígio suficiente para destituí-lo do trono.

Já o deputado estadual, com cerca de 30 anos de presença na Assembleia Legislativa, e ex-prefeito de Betim, Ivair Nogueira (PMDB), entende que chegou a hora de colocar um remédio nessa ferida. “Não podemos continuar digladiando. De um lado os deputados federais e de outro, o grupo de companheiros parlamentares estaduais. Isso nos enfraquece para 2018. Vou continuar exercendo o meu papel de buscar a conciliação. Precisamos marchar unidos para o pleito e, só assim, teremos uma vitória inquestionável. Afinal, pertencemos a um partido político de expressão, merecedor do respeito e do apoio do eleitorado mineiro. Mas, em compensação, se ficarmos guerreando o tempo todo, seremos engolidos pelos adversários”, sentenciou.

Consta nos bastidores que o presidente da Assembleia, o deputado Adalclever Lopes, está mais propenso a uma reabertura de diálogo com seu ex-parceiro, o vice-governador Antônio Andrade. Só para registrar: a bancada estadual do PMDB acompanha o presidente Adalclever em todas as votações de interesse do governo mineiro, mesmo depois da briga entre Andrade e o chefe do executivo estadual.

A ânsia por uma palestra entre os peemedebistas é almejada por muitos membros do partido. E o motivo é a sua força no interior do Estado. Em consequência dessa realidade, surge uma avaliação concreta: é imaginável se montar uma estratégia de campanha para governador, sem aliança com eles. Afinal, são possuidores da maior bancada de deputados estaduais, da bancada federal em número de prefeitos, maior número de vereadores e de diretórios municipais. Além de ter um nome competitivo para disputar uma eleição majoritária que, neste caso, é o deputado federal Rodrigo Pacheco. Contra ele, existe apenas uma observação: trata-se de um cristão novo. A seu favor: a necessidade de uma pessoa mais jovem disputando cargos majoritários para possibilitar a oxigenação do grupo.

Em caso de uma possível aliança pelo Governo de Minas, com o PT, por exemplo, os peemedebistas poderiam montar uma parceria, mediante a indicação para disputar as vagas de vice-governador e para o Senado. Se a aliança for levada a efeito, o PT buscaria apoio também do PSB, apontando o ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, para a segunda vaga ao Senado. Mas, tudo não passa de projeções. Até lá, é preciso saber se o atual governador estará em condições de ser reeleito, por conta de seus problemas com a Justiça.