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Vitiligo atinge cerca de 3 milhões de brasileiros

Caio criou a marca Vitimigo a fim de dar visibilidade ao vitiligo- Crédito: Caio Braga e Reginaldo Maia

O vitiligo causa progressiva despigmentação da pele, fazendo aparecer inúmeras manchas brancas no corpo da pessoa. Atualmente, a doença acomete cerca de 1% da população mundial. No Brasil, estima-se que 3 milhões de pessoas sofram com a patologia que atinge aproximadamente 150 mil brasileiros todo ano.

O dermatologista e professor da faculdade de medicina da UFMG, Marcelo Grossi explica que a doença afeta predominantemente a pele, sem apresentar nenhuma dor, coceira ou algo semelhante. “É muito importante que o paciente nessa condição seja visto como uma pessoa que possa ter outros problemas. É bastante comum que ocorram alterações de outras glândulas e, até mesmo, o comprometimento ocular, uma vez que as células que produzem pigmento também estão presentes no olho”.

Grossi lembra que o vitiligo não é contagioso. “Por ser uma doença que causa manchas na pele, as pessoas criam um preconceito e um receio de que isso pode ser transmitido. Principalmente, as pessoas de pele mais escura sofrem com isso. O contraste que esse tom dá com as manchas do vitiligo é visto por muitos como feio”.

O publicitário Caio Braga possui vitiligo há 13 anos e recorda uma cena que vivenciou. “Uma criança estava sentada ao meu lado na fila do banco, acompanhada de sua mãe. Ela perguntou se podia tocar uma das manchas que fica na minha mão e eu deixei. Quando ela ia encostar em mim, sua responsável começou a gritar dizendo que isso faria mal a filha dela. E deixou o banco em seguida”.

Ele acrescenta que o segurança do banco perguntou se ele gostaria de fazer um boletim de ocorrência. “Eu não quis. Não iria educar uma mulher muito mais velha que eu com um boletim. Mas existe um preconceito muito grande acerca das pessoas com vitiligo. Todos os dias temos que ouvir certos comentários e isso cansa. As pessoas fazem piadas que não tem graça”.

Combater o quê?

Para o publicitário, um dos principais motivos para o preconceito acontecer é o fato do vitiligo ser mostrado da forma errada pela mídia. “Muitos programas de TV ensinam técnicas de maquiagem para esconder as manchas. Pra que? Por que incentivar uma pessoa a usar maquiagem o resto da vida por estar em uma condição autoimune? É cruel dizer a elas que não podem se mostrar como são. A OMS intitulou o dia 25 de junho como Dia Mundial do Combate ao Vitiligo. A palavra combate é muito ruim”.

A fim de dar mais visibilidade a doença, Caio criou em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) a campanha #SejaSuaMarca. “Hoje, não temos muitas pessoas na mídia com a doença. Minha campanha é uma resposta a tudo isso. O vitiligo não precisa ser combatido, porém todo o preconceito acerca dele, sim. Quando criamos o projeto, eu não queria receber nota 100 da banca, mas que alguma pessoa com vitiligo visse ele e se sentisse melhor. E isso já aconteceu com muitagente”.

Vitimigo

Além do projeto #SejaSuaMarca, Caio criou um personagem chamado Vitimigo, com intuito de alcançar ainda mais pessoas com a doença. “Eu o criei quando entendi a minha doença e a aceitei. Ele me ajudou a perceber que todos somos marcas. E uma vez que você as compreende, de maneira positiva e agregadora, tudo fica mais fácil. Como estou em uma classe que também é muito perseguida, que é a LGBT, o vitimigo me lembra que a todo instante eu não posso desanimar, porque toda marca tem um preço, principalmente, as que não são compreendidas pelo próximo”.

Hoje, o vitimigo se tornou uma marca registrada. “É tudo oficial. Eu tenho com ele um projeto para ajudar as pessoas com a doença, especialmente, crianças. É preciso falar do vitiligo. Eu tenho amigos que são dermatologistas, terapeutas e psicólogos que me ajudam. Desenvolvi o vitiligo com 9 anos e sei como é ruim ver sua aparência modificada, mas eu aprendi a lidar com ele”.

Tratamento

O dermatologista explica também que a patologia não tem cura, mas tratamento. “Existem vários tipos de vitiligo, apesar de falarmos só um nome. A resposta desses subtipos é variável. Tem algumas manifestações padrões da doença que correspondem bem ao tratamento que é feito na maioria dos casos no local onde está a mancha”.

Em situações mais graves, ao invés de repigmentar a pele, é mais eficaz que termine de despigmentar. “Mas, em grande parte dos casos, é estimulada a repigmentação. Existem tratamentos com luzes, fototerapia, lasers e até orais”.

Para saber mais sobre o projeto #SejaSuaMarca acesse: www.facebook.com/SejaSuaMarcaa

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.