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Ponto fraco da Lava Jato e a economia brasileira

Crédito: Tânia Rêgo/EBC/FotosPúblicas

Enquanto as forças políticas se digladiam em Brasília, para definir se aceitam ou não a denúncia formulada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB), flagrado numa gravação engendrada pelo megaempresário Joesley Batista, a maior parte da população continua alheia a todo o processo em andamento, a não ser algumas poucas forças ditas de esquerda, que agridem mais os que não concordam com seus pontos de vista, do que defendem posicionamento em favor da população.

O que está se vendo hoje é que a grande imprensa, no intuito nefasto de se despontar no ibope, prefere vender uma situação caótica – que chama mais atenção na mídia – do que destacar algumas conquistas obtidas a duras penas pelo governo federal, após o furacão de medidas desastrosas impostas ao país, nos dois últimos governos.

A enxurrada do denuncismo imposta em nome de uma política de combate à corrupção, embora com aparência de ato politicamente correto, está no fundo apenas jogando bombas para espantar ratos, como se diz no interior brasileiro.

É simples: até agora os grandes nomes da corrupção brasileira, embora presos numa primeira etapa, já estão livres e soltos, desfrutando de mordomias e vidas sem atropelo aqui fora, longe das prisões de Curitiba, Brasília e São Paulo. Não por terem implementado parte das condenações, mas por terem obtido revisão de algumas de suas penas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que leva a crer que as denúncias formuladas pelo Ministério Público (MP), nem sempre refletem a verdadeira realidade das acusações.

O mesmo ocorre com as acusações impostas a nomes de relevo da política brasileira, mais como uma intenção de chamar a atenção para o trabalho desenvolvido pela PGR do que de combate à corrupção, como pretende a Operação Lava Jato. Está aí o grande ponto fraco de uma operação desencadeada para libertar o Brasil de um processo de corrupção desenfreada.

A exposição midiática dos trabalhos da Operação Lava Jato, cujos primeiros resultados começam a ser questionados nos Tribunais Superiores, diante dos questionamentos inseridos nas defesas dos acusados, notadamente pela falta de provas contundentes dos seus delitos, podem jogar por terra todo um esforço desenvolvido para estancar o gasto espúrio de dinheiro público. E mais grave: deixar livres os mentores e protagonistas do sistema.

Enquanto isso, como toda esta questiúncula midiática, os resultados da economia brasileira são relegados a plano inferior. Em poucos meses, o governo Temer já conseguiu debelar a inflação, reduziu o custo do dinheiro, já melhorou a balança comercial e está prestes a começar a reduzir o desemprego, pelo aumento da produção industrial e do retorno dos investimentos externos.

Mas no momento, tais informações não são importantes. O que é importante é o foco político, com o aparecimento nos telejornais de figuras até então desconhecidas da opinião pública, dando depoimentos, proferindo até mesmo aulas de direito, para demonstrar a correção da denúncia, do relatório proferido na Comissão de Constituição e Justiça aceitando os fatos contra Temer.

Tudo isso para aparecer para um público mínimo em relação aos milhões de eleitores, preocupados com o preço dos alimentos, com os gastos com a condução diária, com o preço dos medicamentos, com o fim da farmácia popular, problemas esses sequer discutidos pelos políticos brasileiros, ávidos por outras alternativas que não a arrumação definitiva de nossa economia.