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Valorização do acúmulo de atividades prejudica trabalhadores e negócios

Head Master Coach, Christyano Malta diz que o segredo é controlar o estresse - Crédito: Rodrigo Couto

“Não posso dormir agora, tenho muita coisa para entregar”. “O que você faz de meia noite às 6h? Na sua idade trabalhava 18h por dia!”. Frases típicas que ouvimos a todo instante, pois a pressão de trabalhar muito e cada vez mais são realidades deste século. Atualmente, mais de 30% dos 100 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem com a Síndrome de Burnout (conhecida como a síndrome do esgotamento profissional), segundo estimativa da International Stress Management Association (Isma).

Segundo especialistas, esse número aumenta a cada ano e causa danos à saúde e à economia. No Brasil, a falta de produtividade causada pela exaustão gera prejuízo de 3,5% do nosso PIB, conforme cálculos feitos pela Isma.

Para saber mais sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o Head Master Coach da Casa Coaching de Belo Horizonte, Christyano Malta, que é formado em Direito pela Faculdade Milton Campos e tem MBAs em Gestão Estratégica e Marketing, Gestão de Projetos, Coaching: Life e Executive e, ainda, possui 4 formações na área com reconhecimento internacional.

Hoje em dia o trabalho é visto como um símbolo de status. Por que isso acontece?

O trabalho é visto como um símbolo de status por duas razões: a primeira é porque não há tantas vagas. Então, qualquer pessoa que tenha uma é destacada, como se ela fosse melhor que as outras. Se pensarmos na população economicamente ativa 1 a cada 2 brasileiros está sem emprego. A segunda, é que as pessoas que estão empregadas acreditam que existe uma estabilidade, mas na realidade não há.

Além disso, o trabalho também é um símbolo de segregação – quando a pessoa faz mil coisas na área profissional –, porque, hoje, quando alguém fala que a vida não está corrida ela é vista como uma pessoa desocupada, fora da realidade.

A busca pelo poder e a competitividade no mercado de trabalho é um dos fatores dessa valorização?

Não acredito, pois na verdade isso é muito negativo. Vejo que as pessoas com altos níveis estresse estão caminhando para a síndrome do esgotamento profissional e para a do pensamento acelerado. Elas estão com excesso de competitividade e, às vezes, mais que isso, há uma pressão pelo trabalho, resultado e meta. O que faz com que elas estejam no final do funcionamento de suas mentes, fazendo com que a produtividade, no geral, caia gradativamente.

Por que as pessoas excedem seus limites? Quais são as possíveis causas?

Cerca de 50% das pessoas tem dificuldade em dizer não. Assim, elas vão pegando mais atividades e funções no trabalho, até porque uma empresa que tinha três trabalhadores, agora só tem um, pois os cortes foram da ordem de 60% a 70%. Com isso, as trabalhadores tiveram que absorver essas atividades, alguns por medo de perder o emprego, por projeção de estabilidade e, também, por não saber dizer não.

Vale ressaltar que essa é uma característica de quem tem elevados níveis de estresse, sem levar em consideração o descanso necessário que a mente e o corpo necessitam.

A falta de tempo para os outros setores da vida podem ser prejudiciais de que maneira?

Uma pessoa que não cuida da sua saúde física, emocional, psicológica e espiritual está fadada a viver um excesso de determinismo, ou seja, com uma extensa quantidade de coisas a fazer. Isso faz com que a qualidade de vida caia totalmente, gerando outros problemas, como falta de sono, ansiedade, angustia etc.

Além disso, a falta de sono constante pode fazer com que ela tenha os níveis elevados de cortisol (serve para ajudar o organismo a controlar o estresse, reduzir inflamações, contribuir para o funcionamento do sistema imune e manter os níveis de açúcar no sangue constantes, assim como a pressão arterial) que pode causar a uma depressão química.

Também existem relatos de depressões, assim como a síndrome do esgotamento profissional, que leva ao power stress no qual essas pessoas não conseguem descansar.

Como as pessoas podem perceber que esse excesso pode fazer mal para elas?

A melhor maneira é fazer com que elas descansem. Por exemplo, iniciar uma atividade de mindsulness (calma mental) – a Casa Coach oferece essa modalidade –, ou até mesmo um outro processo de coach orientado para a conscientização, valorização do trabalho e identificação dos potenciais.

É importante que a pessoa se conheça para conseguir controlar a mente e não ser controlado por ela. O estresse pode ser comum, mas não é normal, pois é um mal funcionamento do corpo. A pessoa precisa entender que tudo em excesso faz mal.

Como alcançar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional?

A receita de sucesso é, exatamente, o equilíbrio. Quando estamos alinhados com o que pensamos, falamos e agimos, não há excesso de gasto de energia. Então controlar esse gasto é a grande dica que posso dar para uma balança equilibrada entre a vida pessoal e profissional.

O segredo é controlar o estresse com práticas diárias que possam levar a um descanso mental, corporal e espiritual. As pessoas precisam ter consciência de que descansar é um treino e, também, um trabalho.