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Mais de 4.500 pessoas vivem nas ruas em Minas Gerais

O número de pessoas em situação de rua ainda é grande no Estado e no país. A crise econômica acentuou os índices em algumas regiões, pois é visivelmente aparente o aumento de indivíduos que não tem onde morar. Basta caminhar pelo Centro da capital para vê-los dormindo nas calçadas, praças, parques e, até mesmo, em bueiros.

Segundo dados da diretoria de vigilância socioassistencial do Estado, em 2016 cerca de 3.338 pessoas em situação de rua foram atendidas no Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centro POP), sendo 1.213 só em Belo Horizonte. De acordo com os relatórios do Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), em 2016, 5.305 pessoas em situação de rua foram atendidas, sendo que a sua maioria são do sexo masculino, contabilizando 4.494 e a faixa etária predominante é de 18 a 59 anos. Contudo, os dados são subnotificados, pois são contabilizados apenas aqueles que buscam algum tipo de atendimento.

Cenário Nacional
Conforme pesquisa do Ipea, estima-se que no Brasil tenha mais de 100 mil pessoas vivendo nas ruas. O estudo mostra que das 101.854, 4% estão concentradas em municípios com mais de 900 mil habitantes e 77,02% habitavam em cidades com menos de 100 mil pessoas.

O superintendente de Proteção Social Especial da Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), Régis Spíndola, explica que a política de assistência social é dividida em proteção básica e proteção social especial. “Na proteção básica trabalhamos com a prevenção que é realizada pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras), para que a população não chegue a situação de rua, seja por meio de projetos de estímulo a renda, inserção no mercado de trabalho etc. Já na proteção especial, o Creas é responsável. O centro está presente em 226 municípios e faz atendimento específico para a população que já está em situação de rua. Há um plano de acompanhamento de cada caso para avaliar os motivos que levaram aquela pessoa a esse quadro”.

Ele diz ainda que as ações partem do âmbito municipal, mas cabe ao Estado fazer o cofinanciamento, por meio do piso mineiro (recurso para a assistência social). “O piso mineiro é passado do Estado para o município que pode utilizar de acordo com a sua prioridade, podendo aplicar nos equipamentos que são utilizados para suprir o apoio para essas pessoas. O valor anual de repasse para os municípios é de R$ 54 milhões”.

Grandes cidades
O superintendente diz que os municípios que têm maior incidência são dotados dos Centro POP. “Sabemos que a trajetória de vida nas ruas se dá pela busca de oportunidades e tem-se por senso comum de que grandes municípios têm mais oportunidades”.

Números de pessoas em situação de rua
Ipatinga 254
Sete Lagoas 193
Poços de Caldas 146
Pouso Alegre 133
Contagem 120
Betim 119
Fonte: Centros POP

Spíndola salienta que a crise econômica é um dos fatores, mas não é o único, pois quando o país está bem economicamente não haveria pessoas nesta situação. “Os principais fatores que levam os indivíduos para essa situação é a ausência de empregos formais (que pode estar associado a crise), problemas de saúde e uso de drogas e relação familiar conturbada”.

Ele conta ainda que o Creas realiza um serviço de abordagem desse grupo para propor encaminhamentos. “Também há o papel inverso, as pessoas nesta situação procuram por atendimento. Em BH existem três Centros POP especializados e um Crea em cada regional”, informa.

Saiba mais
O Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Estadual para a População em Situação de Rua – Comitê PopRua-MG foi criado por meio do decreto nº 46.819, de 14 de agosto de 2015. Sua finalidade é acompanhar e monitorar a Política Estadual para a população em situação de rua e possui composição paritária, sendo 11 representantes da sociedade civil e 11 representantes do Governo. “É um espaço interessante onde há o diálogo entre as esferas da sociedade sobre o assunto no qual ações são criadas em prol desse grupo”, conclui.

Solidariedade
Um dos projetos do Grupo Cuidar, de Belo Horizonte, é prestar ajuda as pessoas. Segundo a diretora do grupo, Aline Castro, eles prestam esse serviço há 1 ano e 6 meses. “Trabalhamos voluntariamente com a distribuição de marmitas, agasalhos e produtos de higiene, mas o nosso objetivo é ir além”.

Os 20 voluntários atuam na Região Central e Norte de BH. Mas, Aline conta que a maior dificuldade é encontrar doadores. “As pessoas são solidárias, mas existe um bloqueio em relação a doar, pois criam um conceito de que todas as pessoas que estão nas ruas usam drogas e não precisam de ajuda”.

Ajude
Quem quiser ajudar o grupo pode entrar em contato pela Fanpage: www.facebook.com/grupocuidarbh/ ou pelo WhatsApp: (31) 98894-6952 Aline ou Thiago | (31) 98594-3550 

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.