Home > Geral > Já pensou em usar uma roupa de saco de cimento?

Já pensou em usar uma roupa de saco de cimento?

Cuidar do meio ambiente é um dever de todos e podemos fazer isso a partir de pequenas ações, como jogar o lixo na lixeira e, até mesmo, reciclar e criar roupas de saco de cimento. É isso mesmo, você não leu errado. A estilista mineira Iáskara Isadora mostra que sustentabilidade está na moda. Ela desenvolve há 4 anos peças utilizando produtos recicláveis e naturais.

Iáskara conta que iniciou o projeto quando ainda cursava design de moda pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Eu ganhei uma bolsa de iniciação científica oferecida pela faculdade. Decidi iniciar um projeto de moda sustentável, mas eu não queria algo que tivesse cara de sustentável, pois, geralmente, tecidos desse tipo não possuem uma cor bacana e são sem graça”.

A designer explica que seu principal objetivo foi desenvolver peças que não agridam a natureza. “O mundo caminha para a sustentabilidade. O homem já consumiu tanto o meio ambiente que chegou a hora de parar e dar um descanso para que ele se recupere e consiga manter a população. Eu acredito que todos devemos ver maneiras de ajudar o planeta em que vivemos”.

Para desenvolver o seu projeto, ela buscou trabalhos semelhantes a sua ideia. “Conheci o trabalho artista Hilal Sami Hilal, que foi quem desenvolveu a técnica que eu uso. Uni a minha proposta ao trabalho de conclusão de curso e apresentei as peças. Tive uma aceitação muito grande do público, ninguém acreditava que se tratava de uma reciclagem E era isso que eu queria: peças atrativas que prendessem a atenção das pessoas. Então comecei a pesquisar formas de tornar os vestidos aptos a uso”.

Processo
A estilista optou pelo saco de cimento como principal matéria para suas roupas. “Ele possui fibras mais fortes e resistentes. Para se tornar uma renda, o saco fica um mês de molho e depois disso é moído em um liquidificador industrial. Esse processo faz com que o papel vire uma pasta que é colocada em uma bisnaga. Após isso, eu vou criando as rendas a mão de acordo com a ideia para a coleção. Além do saco de cimento, uso sementes para fazer detalhes que em um vestido normalmente usaria pedras”.

Iáskara acrescenta que, por hora, os vestidos ainda não são laváveis, mas eles já são resistentes a água. “Eu insiro resina para torná-lo impermeável. Mas estou trabalhando para adequá-los a isso”.

Os vestidos disponibilizados para venda recebem um forro para ficar mais confortáveis. A empresária Rosemeire Alves recorda que usou uma das peças no casamento de seu filho. “Eu queria algo diferente que chamasse a atenção e quando vi os modelos sustentáveis me apaixonei. O atendimento foi super tranquilo, ela é dedicada e atenciosa. Os convidados não acreditavam que era de papel, cheguei a tirar um pedacinho da renda para provar”.

Os preços dos vestidos variam de acordo com o que o cliente deseja. Para encomendá-los, basta entrar em contato com Iáskara pelo site www.iaskaraisadora.com.br ou por meio do
contato@iaskaraisadora.com

Mercado sustentável
O biólogo Ricardo Motta diz que, para uma empresa levantar a bandeira da sustentabilidade, é preciso buscar meios para que seu operacional não agrida o meio ambiente. “Desde o processo de criação de seu produto, até o resultado final. Por consequência disso, haverá uma grande economia de água, energia e recursos, que são hoje os mais afetados pelas empresas”.

De acordo com Motta, muitos gestores, em especial os micro e pequenos empresários, tem se preocupado com isso. “As pessoas estão se tornando mais abertas a sustentabilidade e quando as empresas entram nessa onda, passam até a aumentar seu faturamento porque a população vê isso com bons olhos”.

Crédito da foto: Nilson Domingos

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.