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Brasil está em 5º lugar no mercado de alimentos saudáveis

A moda fitness está mexendo com o cardápio dos brasileiros, segundo pesquisa do Euromonitor Internacional. De acordo com o estudo da agência, entre 2009 e 2014, o consumidor tem se preocupado com a saúde e, por isso, o mercado da alimentação saudável cresceu 98% no país. O Brasil é o quinto maior mercado de alimentos e bebidas saudáveis do mundo – em 2015 o setor movimentou mundialmente mais de US$ 27 bilhões e tem expectativa de crescimento de 20% para os próximos anos.

The Top 10 Consumer Trends de 2017 (Tradução livre 10 principais tendências do consumidor), pesquisa que também analisa tendência de mercado, destacou que os consumidores estão mais propensos a adquirir produtos considerados saudáveis. A sondagem apontou que 83% dos entrevistados estão dispostos a gastar mais para comer melhor; 79% substituem produtos da alimentação convencional por opções mais saudáveis; 28% compram alimentos naturais sem conservantes; 44% dão preferência a produtos sem corantes artificiais e 42% gostam de itens sem sabores artificiais.

Outra estudo que corrobora com a tendência foi a realizada pelo Datafolha, em 2016, na qual 56% dos estabelecimentos gastronômicos do país notaram que seus clientes estavam mais interessados no consumo de alimentos saudáveis, onde 53% dos entrevistados observaram um aumento na procura por frutas, 61% contaram que estão consumindo mais legumes e verduras e 65% disseram ter crescido o consumo de sucos naturais.

Segundo o analista técnico do Sebrae Minas, Bismarck Esteves, nos últimos 4 ou 5 anos esse mercado está crescendo bem acima dos demais. “Algumas empresas estão realmente tentando ofertar e atender essa demanda. Eu percebo que as pessoas vem demandando alimentos saudáveis sem a adição de glúten e, também, tem a tendência do vegetarianismo, que está ganhando espaço e pressionando a oferta de produtos e serviços. Podemos ver que grandes supermercados estão ofertando em suas gôndolas produtos destinados a esse público”.

O analista explica que muitas empresas estão surgindo e elaborando planos de negócios que visam englobar esse nicho de mercado que está em ascensão. “Muitos empreendedores estão remodelando o seu negócio e, até mesmo, investindo nesse modelo. O Sebrae tem planos de negócios estabelecidos com base em pesquisas nesse setor para quem quer investir. Mesmo diante da crise, esse é um mercado muito promissor, pois as pessoas estão em busca de uma alimentação saudável e melhor qualidade de vida”.

Ele esclarece ainda que, diferente dos produtos industrializados que são feitos em grande escala, o preço dos alimentos saudáveis são mais altos devido ao valor agregado. “Como é um nicho pequeno e não existe uma massificação do setor, ainda não é possível ver uma redução no seu valor”, conclui.

Em prática
Entre os 83% das pessoas dispostas a gastar mais para comer melhor, está a assessora de comunicação Andreza Cruz. Ela conta que decidiu mudar a sua alimentação, porque estava engordando muito e só os exercícios físicos não estavam dando resultado. “Procurei uma nutricionista e, a partir daí, passei a me alimentar de forma mais saudável. Perdi 4Kg em um mês”. Contudo, ela diz que gasta aproximadamente R$ 100 por semana com frutas, verduras, grãos e carnes. “Além do gasto semanal, tem o retorno mensal com a nutricionista que custa entre R$ 120 a R$ 200”.

Antes da mudança, Andreza diz que gastava menos. “Uma coxinha, por exemplo, custa em média R$ 2,50, já o preço de uma fruta pode chegar a R$ 14 o quilo. O salgado te deixa satisfeito por mais tempo, porque tem mais gordura e carboidratos, já os alimentos indicados é preciso ingerir de 3 em 3 horas. Isso faz com que o custo aumente ainda mais”, comenta.

O trabalhador brasileiro consegue se alimentar bem?
A Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), também fez uma pesquisa sobre o preço médio nacional de uma refeição completa (prato, sobremesa/fruta, bebida e café). Em 2016, na região Sudeste, o valor era de R$ 33,25 e na capital mineira, R$ 29,35.
De acordo com uma pesquisa da Sodexo, o preço médio do vale refeição no Brasil é de R$ 490,46 mensais; no Sudeste é R$ 497,87 e em Belo Horizonte é de R$ 451,18. Mas, se levarmos em consideração uma pessoa que recebe o voucher de R$ 451,18 na capital mineira, durante os 22 dias, ela gastará R$ 645,70 para comprar uma refeição completa, ou seja, um déficit de R$ 194,52 para o bolso do trabalhador.

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.