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Falta de doadoras nos Bancos de Leite Humano afeta tratamento de bebês

Entre 2009 e 2016, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano beneficiou mais de 1,8 milhão de recém-nascidos e teve apoio de 1,3 milhão de doadoras. No entanto, o número de doações de leite materno no Brasil ainda é baixo, apesar do país possuir a maior e mais complexa rede de bancos de leite do mundo, com 221 unidades e 186 postos de coleta. Atualmente, a rede consegue suprir cerca de 60% da demanda de bebês nascidos prematuros e de baixo peso internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais do país.

Conforme uma estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 3 milhões de bebês nascem por ano no Brasil, sendo 14% deles prematuros ou com baixo peso. É nesse contexto que a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano tem atuado há mais de 30 anos, com a responsabilidade da coleta, processamento e controle de qualidade do leite doado pelas mães para posterior distribuição para os recém-nascidos.

A coordenadora do Centro de Referência Nacional do Banco de Leite Humano, Danielle Aparecida da Silva, explica que os bancos são de extrema importância, pois ajudam a salvar a vida de milhares de bebês prematuros e de baixo peso que não podem ser amamentados pela própria mãe. “De 1990 até 2012, o Banco de Leite Humano contribuiu para a redução da mortalidade infantil em mais de 70% e representa uma economia de R$ 180 milhões para as maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS), com a diminuição da compra de fórmulas artificiais”.

Mas, apesar da rede brasileira ser a maior e possuir 221 unidades, a quantidade de postos ainda não são suficientes, aponta Danielle. “Existem alguns Estados, como, por exemplo, o Espírito Santo, que conta apenas com sete bancos de leite, enquanto que São Paulo possui 57. Se houvesse mais unidades espalhadas pelo país, talvez seria possível aumentar a quantidade de doações e atender mais do que 60% da demanda”. A coordenadora ainda aponta outra questão. “Muita gente não sabe da existência dos Bancos de Leite Humano ou ainda não sabem como doar e acreditam que seja um processo bem demorado e cheio de burocracias”.

Ainda de acordo com Danielle, deveria ter mais campanhas para incentivar a doação. “Atualmente temos a Semana Mundial de Aleitamento Materno, em maio, e o Dia Nacional de Doação de Leite Humano, em agosto. Nesses 2 meses há uma grande mobilização e visibilidade da sociedade. O momento chama a atenção para a importância da doação de leite humano, estimula a doação e tem debates sobre a importância do aleitamento materno. Porém, essas campanhas não deveriam ser apenas em datas específicas e sim contínuas”.

Mães doadoras e receptoras
A operadora de caixa, Jennifer Braga, mãe da pequena Emilly, de 2 anos, conta que não conseguia amamentar a filha e precisou do apoio do banco de leite. “A Emilly nasceu prematura com 34 semanas e ficou internada na UTI neonatal por quase 20 dias. Eu não tinha leite suficiente e minha filha precisou da doação de leite materno. Ela mamava 2ml a cada 3 horas e a cada sinal de recuperação era uma vitória imensa para nós”, lembra. Para Jennifer, a mãe que doa um pouco do seu leite é um ato de amor que não tem preço. “Tenho um enorme agradecimento as doadoras que ajudaram no momento mais importante do desenvolvimento da minha filha”.

A psicóloga Márcia Gomes produzia leite em quantidades mais que suficiente para seu bebê e resolveu ser uma doadora. “Eu já tinha consciência da importância do leite materno durante os 6 primeiros meses de vida da criança. Na minha segunda gravidez, como eu produzia muito leite e meu bebê não conseguia mamar tudo, decidi doar o que sobrava e seria desperdiçado para ajudar outras mães”. Ela afirma que praticar esse ato é maravilhoso. “Você não está apenas doando leite, você está salvando vidas. Muitas mulheres têm medo de doar com medo do leite acabar, mas posso afirmar por experiência própria que quanto mais estimular o peito a produzir leite, mais você o terá”.

Benefícios do leite materno
Um dos principais benefícios é ajudar o bebê a crescer de forma saudável e a melhorar o seu sistema imune, afirma a coordenadora. “O aleitamento materno é o alimento completo que atende todas as necessidades de nutrientes e sais minerais do bebê. Ele reduz em até 13% a morte de crianças por causas evitáveis como diarreias, infecções e anemia”. A OMS preconiza que os recém-nascidos sejam amamentados exclusivamente com leite materno até os 6 meses de vida. “Depois desse tempo, o bebê já tem o seu sistema digestivo amadurecido e necessita de nutrientes que não são encontrados no leite produzido pela mãe”.

Quem pode ser doadora?

Qualquer mulher que esteja amamentando e produza um volume de leite que excede a necessidade de seu filho pode ser uma doadora. A mãe precisa ser saudável e não tomar medicamentos que interfiram na amamentação. Para agendar uma doação, basta entrar em contato com o telefone 0800 026 8877 ou pelo site www.redeblh.fiocruz.br. “Todo leite recebido pelo banco de leite é analisado, pasteurizado e submetido a rigoroso controle de qualidade, antes de ser ofertado a uma criança”. Danielle salienta que qualquer quantidade doada é muito importante. “Um pote de leite de cerca de 300ml, por exemplo, pode salvar até 10 crianças”, finaliza.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.