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Estamos consumindo mais água do que deveríamos

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), uma pessoa deveria utilizar cerca de 110 litros de água diariamente. Porém, o diagnóstico de 2015 do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS) do Ministério das Cidades, mostra que o consumo médio no país é de 154 litros por habitante ao dia. A região Sudeste ocupa o primeiro lugar no ranking, com cerca de 192 litros por pessoa.

A tabela tarifária do serviço é autorizada pela Agência Reguladora de Água e Esgoto (ARSAE-MG). A taxa, cobrada por metro cúbico (R$/m3), aumenta progressivamente a cada faixa de consumo, mas se o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), declarar situação crítica, a ARSAE-MG pode adotar mecanismos tarifários para cobrir custos adicionais, garantir o equilíbrio econômico e financeiro. Em Minas, quem é atendido pela Copasa, paga uma faixa fixa para uso residencial, social (para baixa renda), comercial, industrial e pública, somada a utilização por m³, mais a tarifa de serviço de tratamento de esgoto, se houver.

Segundo a especialista em recursos hídricos da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, a conta que o consumidor recebe é referente ao serviço de tratamento e fornecimento e não pela água. Ela acrescenta que, de acordo com a legislação brasileira, a água é considera um bem de uso público, escasso e dotado de valor econômico.

Malu ressalta que, hoje, quem paga pela água são as empresas de energia elétrica, mineradoras, ou seja, indústrias e serviços (companhia estaduais ou municipais de saneamento) e que esse valor não pode ser repassado para o consumidor. “Isso cria uma relação que não transforma a água em uma commoditie (porque é essencial a vida), mas dá a sensação de que ela é barata, por esse motivo ocorre o desperdício”.

Ela afirma que, por isso, houve polêmica na questão de bônus para quem economizou e multa para quem desperdiçou, pois o próprio poder público desperdiça devido aos problemas de distribuição. “Estamos falando de 30%, assim não é justo cobrar do cidadão comum”.

Peso da indústria
A água invisível é aquela usada na produção de produtos na indústria.
De acordo com Malu, a agricultura é o setor que consome mais água no país, cerca de 70%. “Em São Paulo, por exemplo, existe a cobrança para a indústria há anos, mas para a agricultura não. O lobby desse setor foi muito intenso para ser isento do pagamento sob a alegação de que o ramo foi penalizado por vários problemas, como de crédito agrícola, entressafra etc. Mas, não se pode generalizar, pois existe aquele agricultor que consome água de forma racional e preserva nascentes e manaciais”.

A representante da Fundação SOS Mata Atlântica conta que o custo da água gasta na indústria entra na sua cadeia produtiva de forma mais efetiva, ou seja, ela paga pela água que capta e que lança. E isso fez com que o setor desenvolvesse tecnologias para reduzir esse problema.

Para Malu, no Brasil, a falta de saneamento é a forma de poluição mais perversa de se desperdiçar água. “Também é preciso mudar o comportamento das pessoas. Hoje, a legislação não permite a reutilização, pois ainda não há segurança de que a água tratada, nos sistemas de tratamento de esgoto, não tem risco para o consumo humano. Ela lembra que existem pesquisas fantásticas e projetos que poderiam ser utilizados, mas alerta que é preciso rever a legislação para garantir o uso de uma tecnologia eficiente”, conclui.

Ouro estrangeiro
De acordo com relatório divulgado em 2015 pela ONU, as reservas hídricas do mundo podem encolher 40% até 2030. Outro fator é que 748 milhões de pessoas no planeta não têm acesso a fontes de água potável. Portanto, para quem vive em países onde há racionamento, uma gota vale muito. Na Espanha, por exemplo, o brasileiro Jefferson Mansueto diz que o cuidado é diferente se comparado ao Brasil. Lá uma garrafa de 500ml custa 1 euro, aproximadamente, R$ 3,44. Em outros países, a mesma quantidade pode custar até R$11,88.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, nos EUA, também há racionamento e as secas que atingiram o país mudou a visão do sistema de abastecimento. Elaine Correa, que mora no país, conta que a água é tratada com 90% de flúor. “Dizem que se pode tomar água direto da torneira. Pagamos apenas pela água quente e o custo é mais alto, porque ela é aquecida pelo gás. Na Califórnia, a economia é levada mais à sério, tem anos que implantaram um sistema para economizar”.

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.