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Lá como cá, ladrões há

 

O juiz roubou ou vai roubar? Se você estiver lendo estas minhas mal traçadas linhas, antes do clássico deste domingo, você vai dizer que o árbitro vai roubar do seu time. Se, no entanto, estiver lendo depois do jogo Atlético e Cruzeiro, você vai dizer que ele roubou do seu time.

O primeiro caso é o tal de juízo pensado. Ninguém vai demovê-lo da ideia de que os árbitros perseguem a sua paixão futebolística, sabe-se lá por qual razão. Talvez porque todos eles sejam torcedores do adversário. Ou porque são corruptos e aceitam uma propinazinha para torcer os resultados construídos em campo pela pretensa competência do seu time.

Mas se o jogo acabou e seu time venceu, ainda assim, na sua cabeça, o árbitro teria roubado, “porque deixou de dar aquele pênalti, não expulsou o zagueiro que fez falta criminosa no artilheiro, uma agressão digna de ir para o tribunal, ser suspenso ou até preso”. É sempre assim, desde a invenção do outrora esporte bretão. Por que? Ora, por causa da paixão em alguns casos, e da má intenção em outros.

Transporte essas premissas para a área dos juízes togados e você verificará que no campo do direito, com honrosas exceções, também há incompetentes e “magistrados” corruptos. Esses últimos são insaciáveis, goelas largas, capazes de mudar a jurisprudência para favorecer seu bandido favorito ou para colocá-lo nas ruas. Não há nenhuma diferença entre esses de toga e aqueles de apito na boca. Entre um desses e um Zé Roberto Wright, o maior ladrão do futebol brasileiro, não há distância moral que os separe. São farinha do mesmo saco.

Entretanto, no Brasil e no futebol a roubalheira corrupta ou meramente incompetente, pode acabar em breve, tantos são os mecanismos que vigiarão os sopradores de apito, inclusive os tais “árbitros da TV”, já em testes iniciados em Pernambuco.

Porém, a malandragem vista somente pela paixão do torcedor, não acabará nunca, pois ele será capaz de dizer, toda vez, que a tecnologia falhou. Vai relatar também que, quem enxergou e interpretou bem cada lance, foi ele mesmo, muito melhor que os olhos das câmeras e dos recursos das ilhas de captação e de revisão de imagens. O torcedor é assim; e sempre será.

Antes do clássico de domingo, já está condenado o árbitro Igor Júnior Benevenuto. Depois do jogo, permanece a condenação. Coisas do futebol!

No campo do direito, saiba que nada vai mudar no Brasil. A não ser que se faça uma revolução à moda francesa e das guilhotinas, à começar pelos Supremos e Superiores Tribunais.

Retiradas de cena as tais honrosas exceções, por dever de preservar os justos, os honestos e o espírito puro do direito, que se faça então a liquidação da arrogância e da prepotência tão comuns nos outros. E qual seria a primeira cabeça à rolar? A daquele integrante da lista dos comprados pelo Marcos Valério? Ahhh, essa decapitação eu queria assistir. Bandido de toga é bandido hediondo.