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43,7% dos adolescentes brasileiros estão inseridos no mercado de trabalho

Após um dia exaustivo de trabalho, tudo o que mais queremos é chegar em casa e descansar, certo? Só que, infelizmente, essa não é a realidade de 43,7% dos adolescentes brasileiros. O motivo é que, após o trabalho, eles precisam ir direto para a escola. Os dados são de um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que apontou ainda que o Brasil é o 6° país com mais adolescentes inseridos no mercado de trabalho.

Seja para ajudar em casa ou apenas para ter uma independência financeira, conciliar escola e trabalho não é uma tarefa fácil. De acordo com a diretora de Juventude da Superintendência de Desenvolvimento do Ensino Médio da SEE, Priscylla Ramalho, essa dificuldade pode ter como consequência o abandono escolar. “Tudo vai depender da natureza daquela atividade remunerada e do tamanho da jornada que o aluno irá exercer. Na maioria das vezes, eles são aprendizes ou estagiários, com uma carga horária menor que facilita conciliar as duas atividades”.

Ela acrescenta que existe uma lei de estágio para proteger os direitos dos estudantes, visando garantir uma boa formação ao adolescente que resolveu se inserir no mercado de trabalho. “É muito perverso quando o jovem tem que assumir uma outra condição, que deveria ser de um adulto, em uma fase que ele ainda nem terminou a educação básica”.

A rotina pesada pode comprometer os estudos. Foi o que aconteceu com Isabelle Freitas, 15. Ela conta que começou a trabalhar como aprendiz e, após 4 meses, viu que não conseguiria conciliar as duas atividades. “Eu ia para escola e depois para o trabalho, chegava em casa cansada e ia ajudar minha mãe com os afazeres domésticos. Com isso, comecei a me sentir muito cansada, não conseguia me concentrar na escola e dormia na maioria das aulas”

Ela diz que seu rendimento escolar diminuiu. “O primeiro boletim bimestral que recebi mostrou o que eu já sabia: minhas notas tinham despencado. Por isso, decidi sair do trabalho, já que estava no primeiro ano do ensino médio e nessa fase é preciso concentração, porque depois vem o vestibular”.

Já Larissa Silva, 15, se adequou muito bem a dupla rotina. “Eu tento adiantar os meus deveres de casa na hora do meu almoço. Às vezes, faço isso na própria empresa. Mas, confesso que, tem dias que fico bastante cansada. Porém, gosto muito da ideia de ter meu dinheirinho no final do mês. Então, tento conciliar e vou até aonde conseguir”.

Solução

Para Priscylla, algumas medidas deveriam ser tomadas a fim de solucionar a questão, uma vez que muitos jovens não podem largar a atividade remunerada. “Seria necessário um sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente. Porém, essa não é uma questão a ser pensada somente pela educação. Mais do que nunca, é preciso soluções intersetoriais: políticas de assistência social, atenção à saúde, geração de renda e trabalho. Todas essas funcionando em prol do benefício desses jovens”.

Para ela, uma outra alternativa seria o adolescente ver a escola como sua parceira nessa jornada. “O estudante precisa dialogar com a instituição de ensino, procurar professores e supervisores, explicar para eles suas situação, enfim, dizer que está tendo dificuldades. Com base nesse diálogo, a escola pode tentar uma flexibilização maior com aquele aluno. Claro que o ideal seria que ele não precisasse trabalhar, mas não podemos desconsiderar a necessidade de alguns, então é preciso ver a escola como aliada e não como um obstáculo”.

Priscylla conclui dando dicas de como o aluno pode conciliar as duas atividades. “É interessante que ele organize todas as suas tarefas, se alimente bem e, principalmente, durma o tempo suficiente para que consiga descansar para o outro dia”.

Natália Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.