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Você sabe quais são os limites de uma relação?

“Uma vez, quando íamos sair, eu passei mal a ponto de parar no pronto socorro. Ele não queria ir comigo, mas, com muita insistência, me levou, me deixou sozinha e foi para uma festa com os amigos. No mesmo dia, tive alta e, apesar de estar me sentindo mal, fui direto pra festa. Ao chegar, ele não se dirigiu à mim, no entanto, pouco tempo depois, voltei a passar mal e os amigos dele o chamaram para que ele me levasse para casa. Neste momento, ele brigou por ter que sair da festa e até ameaçou terminar comigo.

Ao chegar em casa, me jogou no sofá e gritou muito! Só nesse dia tive noção da proporção que tudo tinha tomado e percebi que o próximo passo poderia ser a agressão física, se eu continuasse com aquele relacionamento”.

Esse é o depoimento de A.D.G*, 21, estudante de medicina, que viveu durante 6 anos um relacionamento abusivo. Ela conta que, pelo fato do ex-namorado ser também seu primo, sempre teve contato com ele e que o interesse surgiu quando ainda eram adolescentes.

Durante algum tempo, o relacionamento foi bom e os familiares apoiavam, mas nos últimos anos, ele mudou completamente as atitudes em relação à estudante. “Percebi que havia algo de errado quando minha família e amigos começaram a interferir, visto que eu ficava muito mais triste do que feliz. Tive ainda mais certeza quando começou a afetar minha saúde a ponto de emagrecer muito, entrar em depressão, ter ataques de ansiedade, pânico e pensamentos de morte”.

A.D.G. relata que quando dizia algo que o desagradasse ou reclamasse de alguma atitude, ele ameaçava terminar o relacionamento. “Houve várias traições. Chegou num ponto que nem fazia mais questão de esconder, porque sempre conseguia contornar a situação”.

O namoro terminou há aproximadamente um ano e meio. “Sempre que ele aparece deixa um rastro de destruição muito grande em mim e fica mais difícil recomeçar, apesar de, cada vez, ficar mais forte e mais convicta de que não quero isso para minha vida”.

O que restou para A.D.G. foi a vontade de recomeçar sua vida. “Voltei a ser feliz. Tive convicção de que o que eu sentia nunca havia sido amor, era doença, dependência. É melhor gostar de mim e curtir minha companhia do que mendigar por uma que nunca tive de verdade”.

*A pedido da personagem, utilizamos apenas as iniciais de seu nome.

Sinais de uma relação abusiva

Para o psicólogo e mestre em análise do comportamento, Gustavo Teixeira, os primeiros sinais de um relacionamento abusivo é quando o outro ultrapassa os limites emocionais, verbais, sexuais e físicos. “É importante notar esse comportamento dominante logo no início, pois quem apresenta atitudes como essas, reage da mesma forma com todos que estão por perto”.

Ele destaca que o dominante é uma pessoa sedutora, interessante, habilidosa para conseguir o que quer e que sempre vai procurar alguém submisso para exercer poder. “Ele sempre vai colocar a culpa no outro, para que ele continue no relacionamento. Além disso é comum a pessoa se afastar das demais quando está submetida ao parceiro. Essa situação favorece os dominantes, pois quem está desamparado é mais fácil de ser manipulado e controlado”.
Teixeira ressalta ainda que relacionamentos abusivos não acontecem apenas com casais, mas também em relações de amizades, entre pais e filhos, padrão e empregado, dentre outras. “Ligações que envolvem algum tipo de parentesco são bem mais difíceis de serem rompidas”.

Para quem está vivendo uma situação desse tipo, o psicólogo recomenda procurar ajuda. “Existem vários grupos para pessoas que estão vivendo isso e a também pode auxiliar fazer psicoterapia”.

Repercussão no BBB

O tema ganhou grande destaque no Brasil após o público presenciar as brigas entre o casal Emilly Araújo, 20, e Marcos Harter, 37, na última edição do Big Brother Brasil (BBB). O participante apresentou um comportamento agressivo, no qual gritava, apontava o dedo em riste e, em vários momentos, fez uso da força.

Essas situações se agravaram tanto que Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher (DPAM) enviou ao Projac uma delegada. Após isso, a produção do programa eliminou Harter para evitar que aquelas agressões se tornassem ainda mais intensas.

Nas redes sociais, a #EuViviUmRelacionamentoAbusivo, na qual várias mulheres contaram experiências de relações abusivas, ficou em primeiro lugar no trends tops do Twitter Brasil e na quarta colocação nos assuntos mais comentados no mundo.

Relacionamento abusivo:
• As brigas são frequentes e estão ficando cada vez mais agressivas?
• Ela te afasta dos seus amigos e parentes?
• Ela quer controlar tudo o que você faz ou usa e, quando não consegue, fica agressiva?
• As ameaças são contínuas?
• Quando você rompe o relacionamento, ela te liga a todo momento e faz escândalo?
• Ela não te incentiva a trabalhar ou estudar?

Se as repostas para as perguntas acima forem SIM, você está vivendo um relacionamento abusivo.

Onde procurar ajuda:

O site livredeabuso.com.br ajuda a identificar se você está vivendo um relacionamento abusivo. Existe também o grupo de apoio MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas), que realizam diversos encontros em Belo Horizonte. Veja os locais:
Grupo 1:
Av. Brasil, 1831 – sala 807 – Bairro Funcionários – Belo Horizonte – MG
Reuniões: 2ª feiras das 19:00 às 21:00
Grupo 2:
Rua Sergipe, 186 – Letra F – Atrás da igreja da Boa Viagem – Centro – Belo Horizonte/MG
Reuniões: 2ª feiras das 14:30 às 16:30
Grupo 3:
Rua Padre Eustáquio, 2405 – no Santuário da Saúde e da Paz (ex-igreja do Padre Eustáquio) – Belo Horizonte/MG
Reuniões: 3ª feiras das 18:30 às 20:30