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Geração Y: mais de 8 milhões de pessoas priorizam equilíbrio profissional e pessoal

Início da carreira, preza pela liberdade, tem até 35 anos e busca o equilíbrio entre a vida pessoal. Investe em viagens, estudo e produtos tecnológicos. É totalmente conectado e utiliza o celular para consumir. Além disso, possui renda maior do que a dos pais na mesma idade e tem filhos mais tarde do que a geração anterior: essas são as principais características da Geração Y. Segundo a pesquisa da Geofusion, com dados do Mosaic by em parceria com a Serasa Experian, no Brasil tem mais de 8 milhões de pessoas com esse perfil.

E esse é o caso da jornalista Priscila Abreu, 34. Assim como a maioria de sua geração, crescer profissionalmente, atingir um bom cargo e conseguir passar seus conhecimentos para os demais é o que ela almeja. Para Priscila, esse equilíbrio é essencial. “É até mais saudável para que o trabalho não se torne um peso”.

A jornalista conta ainda que já recusou trabalhos devido a incompatibilidade de tarefas e salário. Priscila acredita que estabilidade e conhecimento andam juntos. “Para ter uma vida estável é preciso ter um nível de know-how que lhe permita trabalhar menos horas e ganhar um bom salário. Os dois são fundamentais para minha a vida”.

Mas, por que essa geração tem essas particularidades? A professora do Centro Universitário Estácio de Belo Horizonte e consultora com foco em gestão de carreiras e desenvolvimento de pessoas, Daniela Campos, explica que vivemos ciclos de mudanças e que essa geração representa uma nova proposição de valores em função das gerações anteriores já terem vivido determinadas situações muito peculiares em relação ao próprio trabalho, como desgaste e pressão.

“A Geração Y vem com uma grande preocupação nas questões futuras, principalmente, no que diz respeito a sobrevivência da humanidade. Por isso, ressalto esse ponto de mudança de valores”.

Segundo ela, há uma busca pela reinvenção de um novo modelo de trabalho, pois o antigo já não atende aos novos padrões. “Temos isso, obviamente, com a pressão da própria tecnologia, pois os avanços tecnológicos imprimem uma nova forma de trabalhar, as atividades vão mudando, por exemplo, uma função que não existia há 10 anos foi criada e poderá não existir daqui alguns anos. É um processo evolutivo”.

Para ela, a educação também contribuiu para esse perfil. “É uma geração que teve e tem mais acesso a informação, via formal como universidades e, também, pelo meio informal, pois eles são tecnológicos e tem modelo de vida informatizado, podendo ir de um canto ao outro do mundo por meio de um clique”.

Números
O Sudeste concentra 63,4% da Geração Y brasileira, Nordeste (14%), Sul (11,7%), Centro-Oeste (6,7%) e Norte (4,2%). No ranking das 10 cidades, São Paulo aparece liderando a lista, com 1.628.519 jovens, Belo Horizonte aparece em 4º lugar com 245.032 e Salvador, em último, com 11.951. Vale ressaltar que esses municípios concentram 43% da geração e, por sua vez, são responsáveis por 27% do Produto Interno Bruto (PIB).

Outro fator importante para a economia proveniente desse grupo, são os gastos com viagens, cursos de línguas ou ensino superior etc. Os livros didáticos por município chegam a ser quase duas vezes maior se comprado com as demais cidades que tem menor quantidade dessa geração.

Entenda
As pessoas que são da Geração Y também podem ser classificadas como Millennials ou Aspiracionais:
Millennials: São jovens de até 35 anos, majoritariamente solteiros e sem filhos, que vivem em regiões metropolitanas. São antenados e gostam de tecnologia. Renda presumida é de até R$ 3 mil.
Aspiracionais: São jovens de até 35 anos com menor poder aquisitivo e menos acesso à tecnologia, mas com as mesmas aspirações dos jovens de classes mais altas. Em sua maioria, foram criados em zonas periféricas e são filhos de pais com baixa renda e escolaridade. Solteiros, cursaram até o ensino médio e moram em capitais ou regiões metropolitana. Tem renda presumida de até R$ 800.
Fonte: Geofusion

Tendência
A especialista diz ainda que esse público tem uma maior facilidade e disponibilidade para aprender novos idiomas e entendem que isso é como uma realidade, pois percebem o mundo como plural, com várias conexões. “Nessa medida, nós fazemos o resgate do termo nexialista, que vem de um padrão de formação de profissionais dessa geração, de gerações futuras e, também, passadas que pretendem se colocar de forma mais inovadora no mercado com novas proposições de valores”.

Daniela explica que o nexialista é o profissional que tem a facilidade e permeabilidade de estabelecer nexo, ou seja, ele não sabe, mas tem a informação. “E é isso que vai ganhar fatias de mercado. Esse termo surgiu na década de 1950 e, em 2008, nos Estados Unidos, um economista resgatou esse conceito dizendo que, agora, não é necessário apenas o profissional especialista ou generalista. Ele afirma que é preciso profissionais nexialistas – que é a pessoa que tem habilidade de criar soluções. Essa geração tende a ser mais nexialista, devido à demanda e estímulo, fazendo sobreposições de várias competências”, conclui.

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.