Home > Política > Lacerda fica cada vez mais distante de Aécio Neves

Lacerda fica cada vez mais distante de Aécio Neves

Marcio Lacerda é o nome mais badalado da política mineira no momento (Valter Campanato/ Agência Brasil)

Amigos do governador Fernando Pimentel (PT) confirmam que, durante o Carnaval, foram realizados encontros e contatos políticos organizados pelo chefe do Executivo mineiro e, em alguns casos, com resultados práticos. Após reuniões com o ex-prefeito, Marcio Lacerda (PSB), ficou acertado a criação de uma Secretaria de Estado de Esportes, que seria destinada ao PSB, sigla presidida em Minas por Lacerda.

De acordo com as fontes, caberia ao deputado estadual Antônio Lerin (PSB) a titularidade da secretaria desta nova pasta a ser criada. Lerin é um dos parlamentares mais antigos entre os filiados dos socialistas mineiros e representa uma força política do Triângulo Mineiro, especialmente na cidade de Uberaba, onde sempre foi votado.

Eleições de 2018 estão em jogo

Se essas reuniões forem confirmadas, se configura, a partir de então, uma aproximação lenta e gradual entre o PSB e o PT de Minas Gerais. Os assessores avaliam que Lacerda ainda guarda ressentimentos em relação ao último pleito para prefeito da capital, quando o seu candidato Paulo Brant foi retirado da disputa às pressas, devido a um possível “DNA” tucano. O seu afastamento foi sob alegação que o PSDB iria detoná-lo, por conta de processos que estão tramitando há 13 anos na justiça.

Vale dizer que o assunto, na época, pareceu extinto, mas, as consequências geram discordância até hoje e tem possibilidade de serem levadas para 2018, ano de eleição nacional e estadual. Os detentores de assento em cadeiras privilegiadas na política mineira tem a nítida impressão de que o afastamento de Brant da corrida à prefeitura certamente contribuiu para o afastamento do ex-prefeito em relação aos “aecistas”, e ao seu natural encaminhamento na direção do governador Pimentel.

Aliás, quando esteve recentemente em Belo Horizonte, o presidente do PSB nacional, Carlos Siqueira aproveitou para lançar o nome do Marcio Lacerda como candidato a governador. Embora o assunto não tenha alcançado a repercussão esperada, a decisão serviu para demarcar o terreno, especialmente, no plano nacional, pois os socialistas irão caminhar com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para presidente da República.

O jogo seria, mais ou menos, o seguinte: Alckmin encabeçaria a chapa na disputa presidencial para as eleições do próximo ano, e ele, com certeza, gostaria de ver o Lacerda como seu vice. Porém, se a coisa para Alckmin se complicar, do ponto de vista partidário e ele se ver obrigado a se transferir do PSDB para o PSB, o projeto do grupo voltará para Minas. Neste caso, o ex-prefeito de BH ficaria livre para tentar fazer vingar o seu nome na sigla, pela disputa pelo Governo do Estado.

Enquanto isto, o grupo da Executiva Nacional do PSB vê com bons olhos a aproximação dos seus representantes em Minas, nitidamente, cada vez próximo ao Palácio da Liberdade. Ou seja, com isso, os caminhos de uma possível aliança entre eles e o grupo do atual do senador Aécio Neves, presidente dos tucanos no Brasil é remotíssima. Mesmo porque, as pretensões políticas partidárias seriam as mesmas.

Dois nomes dos bastidores torcem para acontecer essa aproximação entre socialistas e petistas – o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), eleito em campanha que teve como adversário o tucano João Leite e, ainda, o prefeito de Betim, Vittorio Medioli (PHS), sempre destacado como uma grande liderança de Minas, quando se discute a sucessão para 2018.

As composições finais não estão sendo colocadas na mesa neste momento, mas os cargos majoritários são destinados à formatação de uma aliança, pois existe o posto de governador, vice-governador e duas vagas para o senado. Na avaliação dos matemáticos da política mineira, esses espaços seriam suficientes para atender plenamente às forças políticas.