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Intenção de consumo aumenta no país

71% dos entrevistados acreditam esse não é o momento de adquirir bens duráveis (Marcos Santos/USP Imagens)

A saúde financeira dos belo-horizontinos está melhorando gradativamente, segundo a pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da Fecomércio MG. O índice de IC, apurado pelo departamento de economia da entidade, registrou 76 pontos – número expressivamente maior desde maio de 2015. Esse fator corrobora com o otimismo dos empresários – que também está mudando para melhor. No Brasil, o cenário apresentou uma leve perspectiva positiva – dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou o avanço de 1,3%, em relação a dezembro atingindo 77,5 pontos, no grau de consumo das famílias brasileiras.

O estudo da entidade é baseado em 7 indicadores que englobam, principalmente, renda, perspectivas profissionais, consumo, crédito e bens duráveis. Analisando os dados isoladamente, alguns pontos não são tão otimistas, por exemplo, a intenção de consumo subiu 6,8% em relação a última avaliação, no entanto, nos próximos meses, os entrevistados estimam consumir menos, se comparado ao mesmo período no ano passado.

Outro ponto importante é a compra de bens duráveis – para 71% dos entrevistados esse não é o momento de adquirir esse tipo de item. Entretanto, o respiro maior é em relação a renda atual –, 66,1% apontam que a sua renda está melhor ou igual que 2016 enquanto que 33,5% afirmam que está menor.

Por fim, as perspectivas profissionais para os próximos 6 meses estão pareadas, 46,3% acreditam que terão ascensão em seu trabalho e 50,9%, não estão confiantes, contudo, o cenário ainda é otimista se confrontado com a pesquisa anterior, onde o índice saltou de 90,8 para 95,4 pontos.

Segundo a analista de pesquisa da Fecomércio MG, Elisa Castro, os números são o reflexo da desaceleração da inflação – que tem projeção de ficar dentro da meta neste ano – em conjunto com a redução dos juros, que devem estimular o consumo. No entanto, ela explica ainda que os resultados são tímidos, porque o grau de satisfação é medido da seguinte forma: abaixo de 100 pontos indica uma percepção de insatisfação, enquanto que acima de 100 (com limite de 200) indica que o grau de satisfação em termos de emprego, renda e capacidade de consumo é positivo. “Uma pequena elevação do índice de confiança, que ainda não chegou a influenciar no nível endividamento das famílias”.

Ela diz ainda que os empresários do comércio têm feito estratégias para atrair esse consumidor por meio de ações promocionais e facilidade no pagamento. Em relação ao estoque, Elisa diz que alguns empresários não estão conseguindo repor as mercadorias, mas que a entidade sugere que a ideia é não deixar faltar ou sobrar. Evitando a baixa rotatividade de produtos.

Em crise

Para o cineasta e engenheiro Leonardo Diniz, a economia continua ruim e um exemplo disso é na sua área de atuação. Ele aponta que é possível perceber a retração nas ruas, apesar do governo se manifestar afirmando que o país está entrando nos eixos. “Construo equipamentos especiais, para os mais variados fins e as encomendas caíram pela metade. Além disso, não encontro mais os insumos e equipamentos e, para justificar, os meus fornecedores apontam que a demanda caiu 60% para eles no setor de equipamentos usados em mecatrônica. Com isso, muita coisa fica sem fornecimento local – o que me força a adquirir esses produtos fora aumentando os custos e ainda causa transtorno, pois tenho que lidar com correios, transportadoras e prazos prolongados”, explica.

Assim, como muitos brasileiros, Diniz não pretende ficar no Brasil por muito tempo. “Na área de cinema, pós-produção e geração de conteúdo em áudio e vídeo para o ensino à distância, está estagnado nos últimos 15 meses. E eu tenho muitos clientes. Penso que o Brasil, tudo que não é absolutamente comercial e trivial, está em declínio. Os profissionais de criação e desenvolvimento estão às moscas. Hoje, trabalho apenas para sair do país”, afirma.

Inadimplência

O índice de endividamento recuou pelo oitavo mês em Belo Horizonte. Mesmo com o aumento da intenção de consumo, o índice de endividamento na Capital recuou pelo oitavo mês seguido. O indicador, que retrata o passou de 21,8% para 19,9%.

As dívidas continuam concentradas no cartão de crédito. Em fevereiro, 86,3% dos entrevistados utilizaram essa modalidade, seguida por financiamento de casa (9,7%), cheque especial (8,6%), crédito pessoal (6,7%) e financiamento de carro (5,8%). Dos endividados, 35,7% não conseguiram honrar seus compromissos e estão com os pagamentos em atraso, em média, há 55 dias.

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.