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Contrastes do futebol

Destaque no time sub-20, Vander (direita) já treinou com o time profissional do Cruzeiro (Foto: Washington Alves – Light Press)

Futura estrela do futebol brasileiro: é assim que Vander Tavares Silva pode ser chamado. Com apenas 18 anos, ele é um dos destaques do time sub-20 do Cruzeiro e já alcançou feitos significantes para a pouca idade, como ter vestido a camisa da seleção no Torneio Quadrangular de Seleções, disputado no Chile.

Natural de São Luís, no Maranhão, o jovem atleta também já morou em Santa Catarina, onde jogava pelo Tubarão e, em 2014, veio para o clube celeste. “Ser jogador de futebol é um sonho de infância”, disse Vander.

Apesar de ser volante, o cruzeirense é um goleador nato: já marcou 22 gols no clube mineiro, número alto para a posição de campo que ocupa. Outro fato que pode chamar a atenção do torcedor é que ele nunca perdeu para o rival Atlético Mineiro. Além disso, Vander foi escolhido pelo site globoesporte.com como a Joia 2017, concurso que elege o melhor jogador da base dos clubes brasileiros.

Porém, nem só de vitórias é a carreira de um jogador. Para ir atrás do seu sonho, Vander teve que sair de casa muito cedo e a desconfiança de sua mãe em relação à profissão escolhida foi um dos desafios enfrentados pelo atleta. “Meu ‘não’ mais doloroso não veio de nenhum clube, mas da minha mãe. No início, quando comecei a jogar, ela não queria me deixar viajar para correr atrás do meu sonho. Mas, depois entendeu e, hoje, sempre me apoia e torce por mim”.

Vander já treinou com o time principal do Cruzeiro e almeja o dia em que se tornará profissional. “Hoje, me sinto mais perto de realizar meu grande sonho, mas tenho consciência que não posso me acomodar e tenho que seguir batalhando”.

Mudança de jogo

Entretanto, Vander é uma exceção. Por ser um esporte de massa, que arrasta multidões e o mais assistido no país, além da possibilidade de ganhar salários milionários, ser jogador de futebol é o maior sonho da maioria dos meninos brasileiros.

Murilo Silva Souza, 19 anos, como vários garotos nascidos em cidades do interior, passou a infância jogando futebol na rua e, desde pequeno, tinha o sonho de tornar aquela diversão a sua profissão. Para conseguir isso, ele fez cinco testes, sendo que dois foram no América-MG e três no Ipatinga, porém não foi aprovado em nenhum.

Nascido em Medeiros Neto, situado no extremo sul da Bahia, Murilo contou que conhece garotos que tinham o mesmo sonho e foram enganados por falsas promessas. “Um cara levou dois amigos meus para Minas e, quando chegaram lá, tiveram que pagar hospedagem e alimentação. Era uma furada!”.

Por nunca ter conseguido realmente treinar em um campo de futebol com grama, Murilo não conseguiu definir qual posição era a melhor para jogar, fato que sempre o atrapalhou nos processos seletivos. “Infelizmente, não deu certo”, lamenta.

Atualmente, o jovem desistiu da carreira de jogador de futebol e está cursando o primeiro período da faculdade de engenharia mecânica.

Categorias de base

O Cruzeiro e Atlético-MG possuem atualmente quatro times nas categorias de base – sub-14, sub-15, sub-17 e sub-20 – com aproximadamente 120 e 150 atletas, respectivamente. Para selecionar os meninos, ambos os clubes realizam processos seletivos nos centros de treinamentos e possuem “olheiros” que viajam por todo o país em busca de novos craques.

De acordo com Ricardo Luiz Gomes Mendes, coordenador das categorias de base do Cruzeiro, o principal quesito analisado para selecionar os garotos é a técnica. “Cada posição tem a sua especificidade”, explicou.

André Figueiredo, diretor das categorias de base do Atlético, disse que os meninos, em sua maioria, são de origem humilde, mas tem toda a infraestrutura necessária para se tornar um bom jogador de futebol e cidadão. “Contamos com uma ótima equipe técnica, que tem preparadores físicos, psicólogos, entre outros. Além disso, temos convênio com a prefeitura de Vespasiano para que os meninos continuem estudando”.

Para os selecionados do Cruzeiro, o clube oferece alojamento, escola dentro da Toca da Raposa, alimentação, além do acompanhamento constante de psicólogos. “O mais complicado é a adaptação”, falou Ricardo. Atualmente, 30% a 40% do elenco profissional da raposa é composto de jogadores que vieram da base.

Apesar de toda a infraestrutura oferecida por estes times, poucos garotos conseguem se tornar profissional. Segundo estimativas do diretor do Atlético, apenas 20% de quem começa a carreira no sub-14 realizam o sonho de vestir a camisa de um clube no time adulto.

Os meninos que quiserem fazer o teste no Cruzeiro podem encontrar mais informações no site do time e os que pretendem vestir a camisa do Atlético, podem entrar em contato por meio do número (31) 3629-2807.