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Taxa de infertilidade conjugal no Brasil gira em torno de 20%

A procura por clínicas de reprodução humana tem aumentado (Foto: Pixabay)

Há 4 anos, o casal Ana Beatriz e Carlos Silva sonham em ter um filho, no entanto, devido a um diagnóstico tardio, descobriram que Beatriz tem baixa reserva de óvulos e também dificuldade para ovular. Agora, as chances do casal reduziram muito. Essa história está se tornando cada vez mais frequente, já que um a cada cinco casais tem ou terão problemas de fertilidade, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Outra tendência que também pode aumentar essa estimativa é revelada pelo IBGE: mulheres brasileiras estão se tornando mães cada vez mais tarde, entretanto, o fator idade é decisivo para a mulher que deseja engravidar.

O ginecologista e especialista em reprodução humana da clínica Vilara Sandro Sabino aponta que, atualmente, a taxa de infertilidade conjugal é em torno de 20%. Segundo ele, a fecundidade no Brasil tem caído a cada ano, sendo 1.87, ou seja, menos de 2 bebês para cada casal. O especialista informa que os principais motivos são questões sociais e financeiras. “O fator primordial são as mudanças sociais, como o desejo de ter menos filhos e mais tarde”.

Com essas decisões, o aumento na procura por clínicas de reprodução humana tem aumentado. “A idade e os fatores naturais que vêm junto com ela, podem dificultar as chances de uma gravidez. A cada levantamento do IBGE é possível verificar que a primeira gravidez das brasileiras está cada vez mais tardia”, explica.

Sabino alerta que quando uma mulher tenta engravidar próximo aos 40 anos, ela pode enfrentar outros problemas como, endometriose, miomas etc, problemas, que, talvez, aos 25 anos ela poderia não ter.

Entre as causas mais comuns de infertilidade, o especialista destaca complicações nas trompas, com o sêmen e dificuldades relacionadas à ovulação. “As causas masculinas e femininas se dividem meio a meio”, diz.

A pergunta mais frequente, principalmente, nos fóruns de mulheres que sonham em ser mães é: “Quando devo procurar um especialista?”. Sabino frisa que se a tentativa passou de 1 ano e o casal tem menos de 35 anos esse é o momento. No caso de casais acima de 35 anos o período é de 6 meses. “Isso não quer dizer que ele irá iniciar o tratamento, mas poderá verificar se tiver algum problema, pois a natureza está atuando. E é importante ressaltar que o profissional que lida com a reprodução assistida é especializado na área. O casal deve procurar, junto, pelo mesmo especialista”.

O especialista apresenta algumas formas de tratamento

Baixa complexidade:

– Indução da ovulação e coito programado: é recomendado basicamente para mulheres que não ovulam todos os meses. As chances podem variar de 25% a 30% de acordo com a idade. Custa em média R$ 1,5 mil.

– Inseminação intrauterina ou inseminação artificial – é feita por indução da ovulação que tem preparo seminal, antes da fecundação. Pode ser feito por 3 ou 4 vezes. E é recomendado para pacientes jovens, abaixo de 37 anos que tenham leve alteração no sêmen. Custa em média R$ 4 mil.

Alta complexidade:

– Fertilização in vitro (FIV) – é feito quando existem alterações importantes nas trompas ou no sêmen e quando há falha nos tratamentos de baixa complexidade. Dependendo da idade, o índice de sucesso pode chegar a 70%. Custa em média R$ 10 mil.

Inovação

O congelamento de óvulos é uma revolução no auxílio da preservação da fertilidade. “Na verdade é mais uma opção para os casais jovens, que por uma série de motivos sociais, não querem ou não podem engravidar no momento”, explica o especialista. Esse programa de preservação da fertilidade pode ser utilizado por pacientes que serão submetidas a tratamento oncológico, assim como por mulheres que desejam adiar a gestação, seja por motivos próprios, sociais, laborais ou problemas de saúde. O procedimento pode ser feito em qualquer idade reprodutiva e, caso precise, a paciente pode usar os óvulos guardados. “E a outra indicação são para as cirurgias mutiladoras, que tem risco”, conclui Sabino. Esse método custa em média R$ 8 mil.

Tratamento gratuito

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) realiza inseminação intrauterina, fertilização in vitro – injeção intracitoplasmática (FIV) e cirurgias para infertilidade etc.

Essa é uma alternativa para os casais que sonham em ter um filho e não tem condições de arcar com todo o tratamento. No entanto, segundo informação da assessoria de imprensa do hospital, o custo da FIV para o HC-UFMG é de cerca de R$ 5 mil; já o da inseminação artificial gira em torno de R$ 800. Para o casal, o tratamento é gratuito, mas a medicação não é fornecida pelo SUS e, por isso, é preciso ser adquirida pelo casal. O valor da medicação da FIV varia entre R$ 3 mil e R$ 5 mil; da inseminação artificial gira em torno cerca de R$ 500.

Como participar

1º O casal com dificuldade de engravidar deve marcar uma consulta em qualquer posto de saúde.

2º Após isso, ele é encaminhado para o Ambulatório de Reprodução Humana do PAM da Sagrada Família.

3º O casal participa de uma reunião com outros casais, na qual a equipe médica explica como ocorre o processo e os valores da medicação.

4º Eles são encaminhados para a primeira consulta.

5º Com os exames todos em mãos, o casal realiza mais duas consultas antes da liberação do procedimento.

Tempo: o processo demora cerca de 3 meses.
Para ingressar no programa, as mulheres devem ter idade máxima de 42 anos para fertilização in vitro com óvulos próprios e de 50 anos para utilização de óvulo doado.

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.