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Kalil dá o tom de sua administração na PBH

Kalil lembra muito o estilo de Itamar Franco

As reuniões sempre se iniciam às sete da manhã, com a presença de vários dos seus secretários, inclusive, do vice-prefeito, que reponde pela secretaria de Coordenação Política da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Desde então, abre a sua agenda para receber visitas de pessoas de todos os credos e de posição sociais diferentes: líderes comunitários, empresários, desportistas, sindicalistas e políticos. Esse é o estilo de Alexandre Kalil, no comando da prefeitura, nestes primeiros 45 dias de atuação. Seus amigos dizem: é uma postura bem diferente do antigo prefeito Marcio Lacerda, que foi sempre hermético e sisudo – uma espécie de cidadão de poucos amigos.

Pessoas próximas, afirmam que Kalil tem uma natureza que se assemelha muito ao estilo de Hélio Garcia em ligame com Itamar Franco. Basicamente é uma forma de fazer as coisas acontecerem sem alarde, como atuava Garcia e, de dizer o que pensa, assim como era Itamar Franco – ao externar seus pensamentos e anunciar as suas decisões, ao longo de sua vida pública de Presidente da República e como governador de Minas Gerais –, que, por diversas vezes, aproveitava os atos públicos, para endereçar suas mensagens a pessoas comuns ou dirigentes de importantes instituições, sem medo de reações advindas.

Apesar de circunspecto, Kalil não perde o seu bom humor. Ao saber do documento que 35 vereadores solicitaram sua atuação para que fosse determinada a suspensão do aumento dos preços das passagens de ônibus, que passou a custar R$ 4,05, ele atalhou: “Uai! Tem populares que também solicitam aos vereadores, a diminuição de seus salários, pois estamos vivendo em uma época de recessão nacional”.

Contextualizando: esse movimento de 35, dos 40 vereadores belo-horizontinos pedindo o cancelamento da majoração das tarifas dos coletivos foi liderado pelo vereador do PHS Gabriel Azevedo, juntamente, com o peemedebista Rafael Martins.

Investimento

Sem meias palavras, Kalil e seus secretários afirmaram que 2017 será o ano dos projetos que irão beneficiar a cidade. Na última semana, ele anunciou um pacote de obras no valor de R$1,65 bilhão, do montante, R$ 600 milhões serão aplicados ainda este ano.

O valor será utilizado para até 2020 em 123 intervenções na área social, manutenção, saneamento e, principalmente, drenagem – devido as constantes enchentes que atingiram Belo Horizonte nos últimos meses. Alguns pontos terão atenção especial, como a avenida Vilarinho, em Venda Nova, a bacia do Nado, na região da avenida Pedro I, Córrego dos Pintos etc.

“Será um projeto arrojado de obras, direcionado para as vilas, favelas e saneamento básico. A previsão de início de algumas das atividades será a partir de março”, diz o prefeito.

Na Câmara

O vereador Gabriel Azevedo anda meio macambúzio pelos corredores do legislativo municipal. Certamente ele nutria a expectativa de ter um espaço maior neste início de gestão, assim como uma convivência mais proativa na parceria com a Prefeitura. Mas, a partir da nomeação de Gilson Reis, do PC do B, como líder do governo, Azevedo sentiu que o seu ambiente não estava à altura de suas pretensões, aliás, fruto de sua própria imaginação. Basta rememorar: quando terminou o pleito eleitoral, do ano passado, ficaram nítidos os sinais de que ele teria se arvorado muito firme, visando alcançar os louros da vitória eleitoral de Alexandre Kalil. A sua postura era de quem se projetou como um dos principais nomes responsáveis pelo resultado positivo da eleição.

Uma avaliação simplória dos acontecimentos dos bastidores, definiria claramente que apesar das ideias do parlamentar municipal serem consideradas inovadoras e coerentes, tem o outro lado da moeda: existem na Casa, inúmeros colegas com muitos anos de experiência e, seus pares não abrem mão de ocupar postos importantes na direção no Palácio Municipal, com isso, haverá as primeiras frustrações.

“Tudo aqui é discutido democraticamente. De modo que se a pretensão de um de nós não é atendida de imediato, na hora seguinte, pode ser viabilizada de outra maneira. Tem espaço para todos”, afirma um vereador que prefere o anonimato. Ou seja, Gabriel Azevedo poderá ter condições de brilhar com mais desenvoltura, no decorrer de seu mandato, é só uma questão de maturação, avaliam alguns interlocutores.