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Mais de 15 milhões de brasileiros são adeptos ao vegetarianismo ou veganismo

Veganismo

Aderir ao estilo de vida vegetariano ou vegano tem sido algo cada vez mais comum. Hoje, no Brasil, estima-se que 8% das pessoas sejam adeptas a uma das duas formas, esse número equivale a 15,2 milhões de indivíduos. Os motivos que levam alguém a se adequar a esses modos são inúmeros, mas o principal deles é não concordar com o sofrimento animal causado por empresas responsáveis pela produção de carnes, leite e derivados.

Mas, qual é a diferença entre os dois regimes alimentares? A nutricionista funcional, mestre e doutoranda em Ciência de Alimentos, Laís Bhering, explica que o vegetarianismo é quando a pessoa opta por parar de comer qualquer tipo de carne, enquanto que no veganismo, a pessoa decide parar de comer qualquer coisa que tenha origem animal, ou seja, ovos, leite e derivados.

Por isso, se ajustar a um dos estilos não é tão simples como parece. Ela aponta que algumas proteínas são absorvidas pelo nosso organismo, preferencialmente da carne. “Isso inclui o ferro, por exemplo, que pode desenvolver uma anemia, caso esteja insuficiente no corpo. Porém, existem outros alimentos que produzem as vitaminas encontradas na carne, como as verduras com tom verde escuro. Contudo, a biodisponibilidade dessas proteínas se tornam menor, porque o organismo absorve menos ferro de um alimento de origem vegetal do que animal”.

A especialista acrescenta que, uma vez vegetariano ou vegano, a pessoa se torna mais saudável. “O ser humano é onívoro, ou seja, consegue comer todo o tipo de alimento. Algumas pesquisas apontam, inclusive, uma sobrevida nas pessoas que seguem um desses estilos de vida, porque há um consumo maior de vegetais e uma dieta mais anti-inflamatória”.

A estudante de medicina veterinária Angélica Maria Araújo conta que decidiu virar vegana por sentir forte compaixão pelos animais e achar que eles merecem liberdade. Depois da opção, sua saúde mudou para melhor. “Vi diferença na pele, cabelo e unhas. Passei a dormir melhor e tive menos dores de cabeça. Eu cuido da minha dieta para não ficar sem as proteínas que preciso e encontro tudo nos vegetais, variando bastante para garantir uma boa absorção, porque tudo em excesso faz mal”.

Dificuldades

Muitas pessoas favoráveis a esses estilos de vida reclamam da dificuldade em encontrar alimentos cuja procedências se adequam ao que necessitam. É o caso da estudante Yasmim França, que há um ano e meio se tornou vegetariana. Ela diz que não teve nenhum apoio familiar. “Comecei sozinha por toda a questão animal que há por trás. Foi muito difícil no começo e ainda é”.

Para ela, comer fora de casa é o mais delicado. “É difícil porque não sei como aquele alimento foi feito e se os ingredientes condizem com a minha dieta. Além do mais, alguns produtos são difíceis de encontrar, e outros até mais caros”.

Devido à essa dificuldade de encontrar alimentos, a professora aposentada Valéria Bonetti, que é vegetariana e tem uma filha que é vegana, decidiu abrir um estabelecimento vegano em Belo Horizonte. “Minha primeira intenção era abrir uma mercearia mista, com produtos de dieta normal e vegana. Foi o que eu fiz. Só que com a grande demanda e, até mesmo, por influência da minha filha, optei por uma mercearia e açougue veganos”.

O local é o primeiro desse ramo em BH. Valéria expõe que ficou assustada com a grande procura do público. “Iniciamos a divulgação nas redes sociais e muita gente começou a comentar, dizendo que sempre quis um mercado específico e que isso facilitaria muito. Então, começamos a produzir nosso estoque, que é todo preparado em casa e sem conservantes. Pensei que o que eu tinha produzido daria para a semana, mas no dia da abertura, esgotou tudo em poucas horas”.

Ela acrescenta que a loja tem atraído muitos curiosos. “Muita gente tem visitado por interesse em conhecer e acaba substituindo ou diminuindo o consumo de carne animal. O que para mim, é muito importante, porque reduz a matança dos bichos, além de ajudar as pessoas a ter uma vida mais saudável, já que a carne vegana é feita de forma artesanal, sem acréscimos prejudiciais à saúde”, conclui.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.