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Modalidade de educação a distância aumenta no Brasil

Em 2018, a perspectiva é de 2 milhões de estudantes

Ter o diploma do ensino superior tornou-se um requisito obrigatório para a maioria dos brasileiros que pretendem trilhar uma carreira. Entretanto, os valores das mensalidades e, até mesmo, as condições para cursar o ensino superior nas redes privada e pública, respectivamente, não condizem com a nossa realidade econômica. Por isso, os cursos da modalidade EaD (Educação a distância) têm atendido as necessidades desses estudantes. 

A pesquisa de Análise Setorial da Educação Superior Privada no Brasil, da Hope Educacional, divulgada em junho deste ano, revela que em 2013 a quantidade de cursos EaD ofertados era de 752, em 2014 esse número foi para 938. Já nas instituições públicas eles caíram de 506 para 427. Consequentemente, as matriculas aumentaram 20,4% na modalidade na rede privada, enquanto que nas instituições públicas o índice foi de 6,6%. 

O estudo expõe ainda que a situação econômica e política do Brasil somada a alta evasão escolar, em especial do ensino médio, reduziu o índice de ingressantes no universo acadêmico entre 2014 e 2016. Porém, a perspectiva é que entre 2017 e 2018, cerca de 2 milhões de pessoas estejam cursando a modalidade EaD. A pesquisa da Hope aponta que parte desse número será proveniente da migração de alunos do ensino presencial.

A doutora e coordenadora do curso de Licenciatura em Computação a distância da UFJF, Liamara Scortegagna, destaca que as inovações tecnológicas, programas do governo e a necessidade de uma formação permanente para se manter no mercado de trabalho são fatores que estimularam o crescimento da modalidade. “A partir do momento em que há uma crise econômica no país, as empresas estão cada vez mais desenvolvendo seus próprios programas educacionais para funcionários, como as universidades corporativas”, explica.

Na ponta do lápis

O Censo da Educação Superior de 2014, divulgado pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) mostra que os maiores números de matrículas foram nas seguintes habilitações: tecnológico (102.314), licenciatura (89.429), especialização (75.066), bacharelado (67.591) e técnico (60.177). Os três cursos que lideram o ranking das matrículas são: pedagogia, administração e serviços sociais. Contudo, as instituições apontam que os principais motivos para evasão na modalidade em 2014 foram falta de tempo para estudar e participar do curso, pouca adaptação a metodologia e acúmulo de atividades no trabalho.

 

Quebra de paradigmas

As mudanças no mercado brasileiro, nos últimos anos, proporcionaram uma nova fase para essa modalidade educacional. Ainda segundo a pesquisa, três pontos foram cruciais para esse ciclo: redução da faixa etária dos alunos (o EaD se tornou uma alternativa para os recém-egressos do ensino médio), crise econômica (busca por mensalidades mais baixas) e o novo modelo de polos de apoio ao aluno (estrutura melhor de atendimento ao estudante).

Liamara ressalta que mesmo com esse crescimento da modalidade EaD no Brasil, ainda há preconceito por parte de algumas pessoas e empresas que desconhecem o verdadeiro potencial e a forma como esse ensino está sendo desenvolvido no país. Segundo ela, essa situação tem mudado e evoluído, devido ao intenso trabalho realizado por instituições de ensino, órgãos reguladores do EaD, grupos de pesquisa e associações que buscam a qualidade e o reconhecimento da modalidade de ensino.

A mestre em administração e coordenadora dos cursos de gestão da Una Virtual de Belo Horizonte, Karen Dornas, afirma que a educação a distância oferece várias vantagens aos alunos. Entre elas, a principal é o desenvolvimento da autonomia do estudante. Uma qualidade que é essencial para as organizações nos dias de hoje.

Ela conta que o preconceito é cada vez menor. “O mercado percebeu que a educação a distância está formando profissionais de qualidade”, aponta. Ilustrando isso, em Minas Gerais o número de matrículas na modalidade aumentou de 104.264 (2013) para 119.303 (2014). O Estado também ocupa o 2º lugar em números de instituições de ensino superior na região Sudeste, perdendo apenas para São Paulo.

Empenho

O comprometimento é um fator fundamental para quem cursa ou quer ingressar em algum curso EaD. Segundo Karen, o interessado em cursar EaD deve estar atento a qualidade da instituição de ensino escolhido, verificando o modelo pedagógico e preço. “O protagonismo fará toda a diferença no aprendizado”, destaca.

A líder do centro de atendimento ao aluno, Iara Vasconcelos, 42, divide o seu tempo entre o trabalho, as atividades diárias e o curso EaD em gestão de desenvolvimento de pessoas. Iara conta além das possibilidades de crescimento profissional, ela optou pelo curso a distância devido a comodidade e flexibilidade. “Mesmo com essas facilidades é preciso muita dedicação, pois você estuda sozinho. Não tem um professor em sala para sanar as dúvidas”, frisa.

Verônica Rosa, 29, atua como assistente administrativa. Ela conta que tentou fazer o curso gestão de recursos humanos na modalidade presencial, mas não houve formação de turma para o horário que ela tinha disponibilidade, em decorrência disso, optou pelo EaD. “Quem faz um curso a distância deve ter foco e disciplina. No início eu fiquei em dependência em uma matéria por não ter o compromisso de sentar e ler o material todos os dias. É preciso criar uma rotina para não se perder no decorrer do curso”, recomenda a estudante.

Ariane Braga
Apaixonada por animais, mercado econômico e educação. Tem 29 anos, graduou-se em jornalismo e cursou MBA em marketing na Unopar. Tem experiência de mais 8 anos na área de comunicação e marketing, com a elaboração de projetos, assessoria de imprensa, redação e edição de jornais e revistas, planejamento e monitoramento de mídias sociais, comunicação interna e fotografia.