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Endometriose atinge pelo menos 6 milhões de mulheres brasileiras

Patologia é a principal causa de infertilidade

Considerada a doença que mais atinge o sexo feminino, a endometriose afeta cerca de 6 milhões de mulheres no Brasil e pode trazer sérias consequências, uma delas é a dificuldade para engravidar. A patologia se dá quando o endométrio (uma membrana que reveste a parede útero) se desenvolve fora da cavidade uterina e direciona-se para outros órgãos da pelve: trompas, ovários, intestinos e bexiga.

A endometriose tem como principal sinal a cólica que costuma ser mais forte que o normal. A maioria das pacientes se queixam de dores abdominais e na hora da relação sexual. Foram exatamente esses sintomas constatados pela gestora financeira, Carina Faria. “Descobri que tinha a doença com 23 anos. Eu sempre tive muita cólica e dor na hora do sexo. Ao relatar isso para a minha médica, ela me pediu para fazer a videolaparoscopia, uma cirurgia que colhe material para análise. Feito isso, foi verificado o problema”.

A diretora de comunicação da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Ines Katerina Cavallo, explica que a doença pode acometer qualquer mulher em idade reprodutiva, ou seja, que já tenha ciclo menstrual, pois a endometriose necessita de estímulo hormonal.

Ines esclarece que a doença apresenta vários níveis. “Há uma classificação simples, leve, moderada e grave, mas essa é uma categoria anatômica, porque a doença não irá, necessariamente, corresponder ao sintoma que a paciente sente. Às vezes temos mulheres que têm a forma mais simples do problema e sinais graves ou e vice-versa”.

Gravidez

A endometriose pode gerar consequências graves, estima-se que pelo menos 30% das mulheres com a patologia terão dificuldades para engravidar. Além disso, dentre as causas de infertilidade por fator feminino, 20% são causadas pela doença. Por isso, a importância de descobrir a patologia e começar o tratamento o mais rápido possível. Felizmente foi o que aconteceu com Carina. “Fui orientada a parar de tomar o anticoncepcional e, caso, se eu não conseguisse engravidar, faria um tratamento especifico, mas isso não foi necessário. Não tive dificuldades e quando engravidei tive uma gestação tranquila. Tenho uma filha de 2 anos, que é saudável e pretendo ter mais filhos”.

A diretora de comunicação da Sogimig informa que outros fatores podem ser decorrências da endometriose. “Tudo vai depender de qual parte do corpo está sendo afetada pela doença. Geralmente, a mulher pode ter dificuldade de evacuação. Às vezes é preciso cirurgia para tirar parte do intestino, em outros casos pode ser necessário a retirada do útero e os ovários”.

Tratamento

Ines comenta que há inúmeras maneiras de controlar a doença. “O tratamento é feito para amenizar e, até mesmo, sanar os sintomas. Por isso tudo está sujeito a queixa da paciente. Se a doença é assintomática, não precisa de tratamento”.

Carina faz uso de anticoncepcional contínuo para evitar os sintomas da endometriose. “A doença estava no nível bem leve e por causa dela eu não posso menstruar, então eu tomo remédio para cortar o ciclo. Já faz 13 anos que descobri a patologia e eu vivo bem e sem sintoma algum”, garante.

Natália Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.